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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

maio 2010

A cidade em você

Por Ana Carolina Pereira

Será que dá para fazer amizades atravessando a rua? Não? Nem um 'oizinho'?

Outro dia, sentada num banco do ônibus, imaginei quantas pessoas já teriam se sentado alí. A princípio, esse tipo de indagação não faz sentido. É apenas mais um daquele monte de pensamentos completamente nulos que temos ao longo do dia. Mas realmente me empolguei considerando o fato de que eu, de repente, poderia muito bem conhecer, ser amiga ou apenas ter cruzado por aí com pelo menos uma pessoa que se sentou naquele mesmo banco, daquele mesmo ônibus.

A partir desse pensamento, foi possível refletir. Em discussões em sala de aula e conversa com amigos, já ouví a muitas reclamações como: ”as pessoas em São Paulo não se conhecem, não saem de seus nichos, de seus ‘mundinhos’. Os vizinhos não são amigos, nem sabem os nomes de quem pega o elevador todos os dias juntos e nem  sempre cumprimentam”, entre muitos outros, todos seguindo a mesma linha.

Quanto a cumprimentar o vizinho no elevador, devo dizer que depende da educação e bom senso de cada um. Mas poderia discorrer sobre o “mundinho” em que cada pessoa vive.

Vivemos numa cidade frenética que, quando dorme, acorda muito cedo e está sempre pronta para mais e mais trabalho, escola, compromissos, reuniões, aulas de yoga, natação, cursinho, aulas de inglês, teatro , entrevista de emprego etc. E a maioria dos cidadãos comuns (chamo de comuns, nesse caso, aqueles que têm o prazer, ou desprazer, de sofrer da “loucura paulistana”) já não conseguem cumprir suas tarefas e afazeres diários em apenas vinte e quatro horas. Todos estão sempre correndo, atrasados e se fecham em seus mundos, dentro de seus carros ou concentrados em seus fones de ouvido.

É possível perceber que as características da cidade são projetadas nas pessoas, que acordam todo dia, muitas vezes antes mesmo do sol ou junto com ele, para seguir sua rotina. E pegam o mesmo ônibus, fazem os mesmos caminhos e cruzam, muito provavelmente, com as mesmas pessoas. A cidade se relaciona com os cidadãos, mas esses ignoram os que estão ao seu lado.

Essa parece ser a grande diferença entre interior e a cidade grande. Imagino ser, pra não dizer impossível, completamente utópico imaginar uma São Paulo em que as pessoas se cumprimentam pelo nome pelas ruas, nos pontos de ônibus e atravessando a faixa de pedestres na avenida Paulista, por exemplo. Há que se entender que se o ritmo da cidade é solitário, apressado e muito trabalhador, o ritmo dos moradores da adorável e, muitas vezes, irritante metrópole é quase o mesmo.

O jeito seria balancear o lado acolhedor, educado e simpático de cada um com a correria e estresse do dia a dia. Assim, podemos todos ser um pedacinho vivo da cidade sem perder a humanidade. Afinal, somos pessoas – de carne, osso e sentimentos – que fazem parte de uma metrópole e não mais um pedaço de concreto com tentativas frustradas de se humanizar.

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Por Ana Carolina Pereira

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