AVISO: este post contém spoilers do filme ‘500 dias com ela’

"This is not a love story. It is a story about love."

Por Ana Carolina Pereira

Uma Linda mulher, Amor à segunda vista, Letra e música, Simplesmente amor, A proposta, Dirty Dancing, Mensagem pra você, O amor não tira ferias. Reconhece esses nomes?

Sim, são filmes enquadrados na categoria comédia romântica. Todos têm o mesmo conteúdo, seguem a mesma linha: uma mocinha, um mocinho. Tudo dá errado o filme inteiro. O mocinho descobre as mentiras da mocinha. A mocinha descobre o passado do mocinho. A família vai contra o relaciomento dos mocinhos e, em muitos casos, eles são pessoas muito diferentes com uma tendência a se estranharem como cão e gato. Parece que nada vai dar certo, mas não se engane, você bem sabe: o filme terminará em uma cena extremamente romântica, beirando a breguice e metade das meninas sairá do cinema tendo plena certeza de que a vida é cor de rosa e que há um príncipe encantado para todas. Enquanto a outra metade sairá se debulhando em lágrimas por saber que a vida real não é assim e jurando de pés juntos que nunca, nunca mais assististirá a uma comedia (nada engraçada, por sinal) romântica.

Comédia romântica é assim mesmo. Amamos, odiamos, assistimos.

Então surge um novo filme dentro da categoria: 500 dias com ela. Ao sentar na confortável cadeira do cinema, o espectador já está preparado para sair sonhando ou chorando. Mas, com certeza, não está preparado para sair estupefato. Eis que uma ousada tentativa de realidade nua e crua é instaurada dentro da já velha conhecida comedia romântica.

Dirigido por Marc Webb e estrelado pelo carente Joseph Gordon-Levitt e pela fascinante Zooey Deschanel, 500 dias com ela conta o sofrimento de um mocinho que se apaixona pela mocinha. O filme todo é retratado de maneira real, sem muito floreamento, sem muitos efeitos apaixonantes. São duas pessoas. Não mais um mocinho e uma mocinha, mas um homem e uma mulher com sentimentos, temores, amores e dúvidas, muitas dúvidas.

Diferente de típicas comédias românticas, 500 dias com ela não é previsível, não atende às expectativas amorosas do telespectador já acostumado a uma mesma fórmula mágica de recorde de venda de ingresso. Só o fato de nesse caso ser o mocinho a sofrer, chorar e implorar pela volta daquela que acredita ser o amor de sua vida já é inédito. Mas, muito mais do que isso, o filme faz pensar.

Na mesa de jantar pós-filme, comum aos frequentadores de sessões de cinema noturnas, reflete-se, ainda um pouco em choque, que o amor pode não ser para sempre, que a vida toma rumos diferentes, mas que não é necessariamente ruim. Percebe-se que os filmes nos vendem uma realidade inventada, um motivo para chorar ou sonhar em vão. A vida de ninguém é um filme, é humana, é real.

500 dias com ela é humano. Uma nova maneira de fazer e assistir a comédias românticas e sair do cinema nos perguntando se preferimos o sonho ou a realidade.

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