Especial ‘Diário de bordo’
"...o National Portrait Gallery é fundamental e gratuito"

Por Ana Carolina Pereira

Shakespeare, jóias da rainha, St. Paul’s Cathedral, Abadia de Westminster. Passeios culturais interessantes, agregadores de conhecimento e muito bonitos. Porém, o que mais me chamou a atenção até agora foi o National Portrait Gallery, o maior acervo de retratos de personalidades da Idade Média até os tempos modernos. São mais de 1.000 retratos de homens e mulheres que ajudaram a construir a história britânica.

O museu conta com 4 andares repletos de arte. Nas primeiras salas estão as pinturas mais tradicionais, muito realistas. O quadro ‘House of commons’, do pintor George Hayter é um bom exemplo. São 375 membros da corte e oficiais retratados minuciosamente. Impressionante. O mais legal de tudo é que bem ao lado da obra encontra-se um computador em que se pode identificar 323 desses muitos rostos. Se tiver tempo, paciência e interesse pode-se descobrir a história e papel de cada pessoa estampada na tela. E assim é com muitas outras obras. O museu conta com um riquíssimo acervo de informações.

Encontrei com muitas crianças inglesas por lá (o que não é muito comum pelas ruas). Excursões escolares aos montes se instalavam nas salas, sentadas em banquinhos, em frente a algum específico quadro. A guia entrava na personagem ao apresentar as mais relevantes personalidades. Explicava com vontade, com gosto, dando um valor inenarrável à história. Me deu uma enorme vontade de voltar à sexta série e escutar, dessa vez com a devida atenção, a tudo o que há para aprender.

Ao mudar de andares e sessões é possível observar com clareza não só o passar dos anos, a mudança nas vestimentas, os fatos históricos e a evolução da cidade, do país e do mundo, mas também a evolução dos retratos e da arte em si. É perceptível, na Idade Média, a preocupação dos pintores em retratar a realidade até surgir a fotografia e, com ela, novos estilos não tão reais e mais despreocupados, novas formas de arte como as caricaturas.

Uma das últimas salas reserva seu espaço para fotografias da família real, todas tiradas por John Swannell, fotógrafo oficial do palácio. A foto de maior destaque é de um momento informal, descontraído e íntimo da princesa Diana com os filhos, William e Harry, tirada quando brincavam entre sessões de foto para o cartão de natal oficial daquele ano.

O lugar é riquíssimo, usa a magia e beleza de printuras, gravuras, caricaturas e fotografias para contar a história do país. Para quem quer estudar a cultura e a história da Inglaterra, o National Portrait Gallery é fundamental e gratuito.

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