Escolher um lugar para sentar numa praça de alimentação, apesar de parecer uma tarefa simples, envolve um complexo processo, principalmente quando se está sozinho.

Há que se pensar no conforto, analisar o melhor ponto de observação e, obviamente, tentar não sentar em frente à doceria que, com tanto esforço, evitou a semana inteira – afinal, depois de um almoço regado a alface, a tentação de comer uma calórica sobremesa é maior e a culpa menor. Também é preciso escolher uma mesa longe do banheiro, de fácil acesso e que não esteja espremida entre outras mesas lotadas. Pronto. Avaliadas as condições físicas e arquitetônicas do local, é hora de analisar as pessoas.

Sentar ao lado de casais apaixonados que não ligam para o resto de comida na boca do parceiro é de tirar o apetite. Mais ainda quando o alimento é oferecido ao outro através da técnica do ‘aviãozinho’ – muito utilizada por mães que visam convencer o filho birrento a comer só mais uma colherada de sopa de brócolis. Sem contar os apelidinhos ‘românticos’ que envolvam o nome de leguminosas que podem ser inventados ali mesmo, bem ao seu lado. Enfim, uma mesa rodeada por casais está completamente descartada e ponto.

Sentar em frente a um alguém muito atraente também não é boa escolha, a não ser que você não ligue de ser observada com o lanche desmontando da mão e sujando a camiseta na primeira mordida ou, pior, com pedaços de alface presos ao dente.

Existe uma boa possibilidade de ser necessário o compartilhamento de uma mesa grande por diversas pessoas solitárias. Em casos como este, se estiver com pressa – ou de mau humor – aposte em colegas de refeição com trajes executivos. Homens e mulheres de negócio estão sempre correndo e, certamente não terão tempo de puxar papo ou observar seu prato. Pode ser que nem ao menos lhe cumprimentem.

Os velhinhos são companhia boa para quem está afim de um bom papo com direito a histórias de vida e, de quebra, alguma receitinha de vovó para testar no final de semana. Já grupos animados de adolescentes podem ser companheiros de mesa desastrosos ou fenomenais. Vai da sorte de cada um e de seu gosto pessoal por conversas ‘emo’ e outros estilos parecidos.

Vale escolher a mesa daquele com feição simpática, alguém que já esteja de saída ou optar por um banquinho daqueles altos em frente a enormes bancadas.  

Horário de almoço é assim: é preciso achar um lugar confortável, de boa visão, que não seja difícil de alcançar e sem fatores que intimidem ou pressionem enquanto faz sua sagrada refeição. Tudo isso tentando equilibrar a bolsa num ombro, a sacola no outro e, logicamente, com o prato nas mãos, rezando para que o refrigerante que samba na bandeja não se espatife no chão.

Isto feito, bom apetite.

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