O verão está chegando. A estação mais quente do ano começa, oficialmente, no dia 21 de dezembro, mas os termometros já anunciam a proximidade desta época tão aclamada por muitos brasileiros.

Devo anunciar, logo de início, que esta não é a minha estação do ano favorita. Sei que, dito isto, contrario a grande maioria. Mas venhamos e convenhamos…

Verão no interior, carnaval, casas com piscina, praia e brisa do mar combinam perfeitamente com esse clima tropical acentuado pelo aquecimento global. Mas São Paulo no verão? Uma eca.

Pergunte para quem não tem carro com ar condicionado e tem que pegar ônibus lotado.

Sol torrando o cuco, pessoas suadas e, consequentemente, desodorantes vencidos e aquele cheirinho peculiar – e indescritível – no elevador abarrotado de gente.

Não consigo acreditar que alguém realmente goste dessa sensação. Qualquer pequeníssima roupa que você use, parece um casacão de pele (sintética, por favor). Sem falar em qualquer caminhadinha daqui até a padaria na esquina que, com esse calor, é o mesmo que correr os quinze quilômetros da corrida de São Silvestre debaixo de sol (e sem preparação física).

Graças ao gênio Willis Carrier, inventor do ar-condicionado, grande parte dos problemas de calor em excesso foram, se não resolvidos, amenizados. Mas isso apenas para quem não sofre de rinite ou aqueles cuja imunidade, sendo muito baixa, não aguenta tanta mudança catastrófica de temperatura e pega logo um bom resfriado.

Essa é a estação de cultuar os corpos e exibi-los em, quase microscópicos, trajes de banho. É, por tanto, a era das academias. Academias essas, que estão sempre lotadas e requerem mais paciência para ficar esperando duas horas por uma esteira desocupada, do que motivação para usá-la por trinta minutos.

A maior benção da natureza é quando, finalmente, cai a chuva. Mas chuva de verão não se contenta em apenas molhar as plantinhas que estão clamando por água e refrescar um pouquinho o ar abafado. Não, elas vêm com força total, destruindo árvores, quebrando fios de eletricidade e alagando a cidade inteira – problema que os governantes insistem em não resolver. O que viria para refrescar, acaba gerando o caos total.

Três banhos por dia, ocasionando um gasto excessivo de água. Exposição constante ao sol, trazendo maiores riscos de câncer de pele e ainda marquinhas indesejadas de óculos de sol e camisetas com manga.

Por essas e muitas outras razões, os adoradores do verão que me desculpem, mas um friozinho agora, em meados de dezembro, faria muito bem, obrigada.

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