Essa cobrança e pressão de que o ano que vem tem que ser melhor do que aquele que se encerra é uma coisa que me deixa mais nervosa do que animada para a tão esperada virada de 23h59 do dia 31 de dezembro para às 00h de 1º de janeiro. Fico preocupada em estar tudo perfeito.

Tenho que estar em cima de uma cadeira (quanto mais alto melhor, para o sucesso) pulando com o pé direito – para começar bem – sem deixar cair a champagne e com a lentilha já preparada na colher. Com o mesmo pé direito é de lei pular as sete ondinhas ou, no mínimo, atravessar a rua pulando (ida e volta). Ainda com ele, já quase calejado, dar umas voltas com uma mala (sinal de que viajará muito no ano novo) recheada de livros (significando conhecimento e aprendizado). A primeira pessoa a abraçar tem que ser alguém do sexo oposto, para dar sorte no amor. Empurra a mãe e a avó e fica na fila dos homens da família. Ou então vai logo agarrando o primeiro que aparecer na frente, afinal, ninguém aqui falou em beleza, cumplicidade, empatia ou seleção, homem é homem, não é mesmo? E sem dar muitas explicações, afinal, a boca não pode mexer muito porque tem que começar o ano sorrindo. Come lentilha, toma champagne, faz pedido chupando 12 uvas (uma para cada mês do ano que está por vir), sem contar a romã para trazer dinheiro. Calcinha vermelha, para paixão, jóias (ou bijuterias, né?) douradas, para fortuna, roupa branca, para paz, maquiagem violeta, para sucesso e sorte. E nada de comer frango ou qualquer animal que cisque (nada de ir para trás).

É tanta pressão, mas tanta pressão, que é necessário o ano todo para preparar todas as superstições desse pequeno segundo que parece, num passe de mágica, mudar a vida e o rumo de um ano todo. O resultado é passar a virada sendo mal-educada, brega, ridícula, com o estômago revirado e com muita dor no pé direito. Isso porque, passadas 2 semanas, ninguém mais vai lembrar de continuar cumprimentando o vizinho, por mais chato que seja, de ajudar todo velhinho a atravessar a rua, não falar mais palavrão, parar de fumar, beber menos, ler mais, não assistir mais a tanta porcaria na televisão e, ah, lógico, o regime que seria começado na segunda feira, já terá virado lenda há tempos.

 Meu desejo real  é que o ano que vem seja produtivo e encantador, mas que deixe a desejar um pouco para que haja expectativa para o próximo e que seja assim ano após ano, cada vez melhor. E que possamos parar de nos preocupar com tanta besteira, pois o que vai definir seu novo ano não é a cor da calcinha que usará na virada, mas as atitudes que tomará ao longo de toda a jornada.

Até 2011, com textos melhores e maiores inspirações (esse ítem está nas minhas metas, com certeza).

Feliz ano novo!

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