Até que meu organismo mandou bem ao acordar meio chocho, meio murcho, meio dolorido. Uma sensação de enjôo, algo entre a ressaca e alguma comida que não caiu bem. Dá um desânimo, vontade de ficar dormindo, assistir a sessão da tarde, voltar ao tempo de colégio em que a única preocupação era a prova de matemática daqui a duas semanas e se a mãe ia deixaria ir ao shopping com as amigas.
Meu organismo acertou no dia de acordar quase doente. Odeio quando ele acerta. Agora tenho uma desculpa mais do que plausível para ir do trabalho direto pro ônibus e do ônibus direto para a cama, sem desviar do caminho.
Ao invés de escutar aquilo tudo que você tem para me dizer, vou me concentrar no penúltimo capítulo da novela que não assisto e no lugar de umas boas três doses de uísque, me deliciarei com uma canja de doente que só minha mãe sabe fazer.
Não me jogarei na pista de dança, mas certamente me remexerei nos meus lençóis, de um lado para o outro, até conseguir dormir. Escuro por escuro, é só apagar a luz do quarto e estamos quites. Tudo isso sem precisar me preocupar com roupa – aquela camisola recém lavada já ta bom demais -, cabelo – qualquer piranha dá conta do rotineiro coque mal feito da noite – e muito menos maquiagem, essa vai ceder o lugar para o bom e velho creme hidratante de sempre. A bolsa de água quente, se esta for necessária, será o contato mais próximo que terei com o chamego, calor humano e sensação de aconchego. As vozes da televisão como companhia e na hora de arrumar o despertador fica claro que o dia acabou mesmo, que o final é esse. Agora só me resta dormir, torcendo para não sonhar, e esperar a próxima oportunidade para ter, quem sabe, uma dor de ouvido daquelas.

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