Pensei, pensei, refleti, pensei mais e tudo isso não sai da minha cabeça. Tantas imagens, informações, uma enxurrada de desastres e lágrimas. A vida humana como ela é: frágil, pequena, sujeita, impremeditável. 
A morte tão de perto. A natureza, bela, vira um monstro e o sentimento de solidariedade, a vontade de ajudar faz com que a sensação de pequenez e inutilidade fique maior ainda. Nada a se fazer de concreto. Alimentos, roupas, dinheiro. É só o que é possível de tão longe e vidas, tantas vidas perdidas não voltam com um ‘sinto muito’, nem que este venha do papa. O conforto de familiares e amigos é uma missão impossível.
Problemas. Uma vez, discuti bravamente sobre a dimensão de problemas pessoais que, tão pequenos aos olhos, doíam tanto no coração. Um sofrimento bobo, quase em vão. Problema é chegar ao fundo do poço, detonado por lama, pedras e água, muita água.
 Três da manhã. Tão difícil de se safar. O barulhinho da chuva, propício para o sono pesado, gostoso, fatal. O maior desastre natural. Não escolheu raça, classe social e muito menos turistas ou nativos. Arrasou tudo que ousasse estar no caminho.
Cenário de guerra. Tentativas de salvamento. A escolha entre a própria vida ou o bichinho de estimação. Pesar. Casa? Que casa? Irreconhecível. Não dá para saber o que era sala, cozinha, banheiro. A cor das paredes, agora inexistentes, pintadas de marrom. Assim como carros, lojas, hospitais, igrejas, bens materiais que não valem uma vida, mas precisam de uma, quase inteira, para serem conquistados. Perdeu-se tudo: moradia, roupas, alimentos. Ironicamente, não há mais nem água. Perdeu-se todos: pai, mãe, filhos, parentes, amigos, vizinhos. E a mãe natureza não dá trégua, não mostra carinho, perde o olhar fraternal. Parece raivosa, irada, impiedosa. Chega a ficar forte a dúvida sobre a existência de Deus, mas, mesmo assim, ora-se, pedindo pela alma daqueles que se foram e pela vida daqueles que ficaram. 
Em momentos como esse, palavras não são suficientes. Então, em meio à desolação e tristeza, esperança e fé na superação. É só o que sobrou.

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