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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

fevereiro 2011

Over and over again

She makes some extraordinary things to be with him. And it might sound really stupid, but that’s something she really can’t control. She just needs to be next to him. It’s not rare those times when she doesn’t even need to talk to him, ‘cause only to be in the same room works for her. So, in order to get his companion, she lies and does wrong things. And when she does those horrible stuff imagining that she’ll get him closer and he just doesn’t show up or stays for two minutes and goes away to do his – more important – things…well, that’s when she realizes that she’s the only one in this ‘relationship’ that cares. So she has the clearest picture of the situation: He just doesn’t give a shit. So, when it happens (and I may assure you: that’s pretty often) she takes the bus and, on her way home, instead of reading her really important books, she listens to her iPod and, when doing that, chooses the most dramatic, romantic and ridiculous songs ever. Sometimes she sheds some tears and, when she can’t control herself, cries like a baby. But most of the times she just gets really mad at herself, at him, at them. Unfortunately, she already got used to conclude that there isn’t a ‘them’, not at all. So she gets really pissed and decides to stop giving him any attention. Knowing that the best option is to take care of herself, she sets her free to meet other people, someone that cares, just for a change. And, believe it or not, it works. Always. She starts to ignore him. And that’s great. It’s a victory! She starts to get convinced that she can, actually can, be happy without him. But something stronger, that no one can explain, just ends up making them meet again. When that happens, well, that’s when her entire world just falls apart. Again. He seems to be the most caring, sweet and amazing person on earth. Again. He’s just so intelligent (you might know what I mean and what it does to a woman) and he has something really hard to find in an ordinary guy: he makes her smile. Like no one else does. She hates that just as much as she loves that. So, it just starts the whole mad cycle again. Lying and doing wrong things, chasing the guy, being ignored, crying, going crazy, starting to care more about herself, remembering the reasons why she fell in love – once again – to the idiot one. Falling in love again, lying and doing wrong things, chasing the guy…well, I suppose you got it. It never ends. Love is stupid and pretty dumb.

Laços

– O que a senhora está fazendo aqui a essa hora, tão cedo?

– Vou pra casa da patroa, né?

– Mas a senhora tá aposentada já, não fica em casa por quê? Já com idade, quase sem força. Olha aí, carregando peso, pegando ônibus, mais de um! Pra quê?

– Ah, a patroa tá com uma doença lá, não posso deixar sozinha, tem que cuidar dela!

– Mas a senhora também tem que se cuidar. Fica aí fazendo trabalho pesado, limpando, preparando o café da manhã pros outros. Podia estar em casa, fazendo a sua comida, cuidando da sua saúde, sua casa, suas coisas. A patroa já não tinha te dispensado, não?

– É. Mas a gente se apega tanto que acaba virando escravo…do coração.

Protesto da alma

As lágrimas que escorriam chegavam à boca quase no exato momento em que balbuciava fragmentos de memórias de velhos e bons tempos que passara naquelas salas. Risadas, choros, surpresas, conversas, paqueras, análises, apreciações e, não raras vezes, até um cochilinho daqueles propícios de depois do almoço. O que mais lhe incomodava era imaginar o que faria se aquele espaço – já tão conhecido, quase como sua casa e, certamente, parte de sua vida – passasse a ser um mero caixote de concreto como tantos outros ao seu redor: sem vida, sem cultura, sem a frequente presença de descolados e interessados jovens, saudosos e bem dispostos senhores e qualquer tipo de público que por ali passasse e resolvesse ficar. Temia mesmo era que faltasse àquele prédio a rotina de bons momentos.
Seu Opi Stein tem 72 anos e frequenta o Cine Belas Artes ‘desde a época em que ir ao cinema era um glamour só’. No dia 23 de fevereiro, às sete horas da noite, lá estava ele, segurando uma discreta folha sulfite que dizia, em letra de mão, ‘salvem o cine belas artes, salvem a cultura da cidade’. Não se sabia ao certo o que estava acontecendo. Manifestantes apareciam em todos os cantos e tentavam, das mais diversas e barulhentas maneiras, explicar o porquê de tanta revolta. Jornalistas não sabiam mais o quê ou a quem perguntar. Foi então que, por obra do acaso, no meio de todo o burburinho, a câmera de um dos muitos veículos de comunicação que cobriam o evento percebeu, num cantinho quase escondido, o humilde protesto de um quietinho senhor. Apesar dos muitos jovens que pulavam e exigiam, aos berros, providências contra o fechamento do cinema, a atenção se voltou toda àquele discreto pedido e foi ao tentar responder à uma simples questão como ‘o que o Cine Belas Artes representa para o senhor?’ que as incontidas lágrimas – também discretas e humildes – conseguiram, sem fazer qualquer alarde, explicar as razões pelas quais o estabelecimento não deveria ser fechado. Da maneira mais simples e pura, entendeu-se, enfim, a importância que aquele tão conhecido cinema de rua tem para a cidade de São Paulo.

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