OBS: este texto é uma reedição (blog naotembulameuremedio.wordpress.com)

Quase 2 meses depois da data oficial, o ano começou (agora na prática). Quem ia viajar, já viajou. Quem é fã da mais famosa festa brasileira e passa o resto do ano pensando em pular carnaval, já pulou e, provavelmente (salvo algumas raríssimas excessões) , todas as promessas de ano novo já foram descumpridas: já percebemos que é quase certo que continuaremos a estudar para as provas na véspera, que não teremos tempo para ler mais livros, que não faremos uma limpa no armário abarrotado de roupa, não caminharemos pelo menos 3 vezes por semana, não subiremos escadas ao invés de usar o elevador, não seremos mais pacientes no trânsito e não, não vamos começar um novo regime na próxima segunda feira.

Isto entendido, o ano finalmente começou. Tirando o fato de que escrevemos as datas repetidas, mudando apenas o 2010 por 2011, é quase como se tudo continuasse da mesmíssima maneira, inclusive o lugar em que moramos.

Há um certo vazio dentro da cidade nas férias que me intriga. Tenho que confessar que o fato de quase metade da população suburbana se afugentar em praias lotadas, casas de parentes no interior ou até mesmo países distantes, faz com que a vida do paulistano que fica seja um pouquinho mais agradável. A sensação que tenho é que consigo ocupar um lugar maior na grande metrópole. E isso serve para pequenos clubes noturno (em que antes, não se podia nem sonhar em dançar empolgadamente, porque corria um grande risco de bater em pessoas desconhecidas) e cinemas, por exemplo. Sinto até que posso escolher, de fato, o restaurante em que quero jantar de acordo com as minhas preferências gastronômicas e não apenas levando em consideração o tempo de espera e o estresse que passaria esperando por uma mesa. Lugares mais vazios, menos congestionamento, menos filas, quase a perfeição. Mas ainda assim, alguma coisa me incomoda. Me lembro de já ter citado, em texto passado, como nos tornamos um pedacinho da cidade em que moramos e volto ao mesmo ponto. São Paulo que eu conheço é frenético, lotado, estressado. Passando férias e feriado por aqui me sinto como se tivesse viajado e estivesse conhecendo alguma cidade mais tranquila e bem mais calma.

Mas é melhor não se acostumar muito, pois passado o carnaval, subitamente se percebe uma movimentação estranha. Não chego mais aos lugares em 20 minutos, não passeio tranquilamente pelas ruas e muito menos consigo chegar depois das dez da noite e me deparar com uma mesa sorrindo para mim, me esperando no barzinho mais famoso do bairro. Pronto, São Paulo está de volta. Estou achando até que era a cidade, e não eu, que tinha tirado férias.

Anúncios