Porque quando era só carnal, tensão sexual e aquele gostinho de proibido, impossível, era só ilusão. E envolveu carinho. E virou real, palpável. Certeza. Quanta indecisão. Quanta tentação. Suava entre os dedos, deixava o vento acertar os cabelos e ignorava tudo que estava em volta. O assunto, o caminho, a posição do braço doída. Nada mais importava. Só encostar, chegar perto. Meia hora em segundos. O que os outros iam pensar? Que se foda o outro, que se foda a outra. Sabia no que estava se metendo. De novo. Entrara no jogo e perdia a noção. A química era inegável, a vontade recíproca. Declarações em tom de brincadeira, daquelas mais verdadeiras. Guiava os passos, às escuras. O rosto colava. O sussurro, o aperto, o cafuné. A indireta, direta. Era hoje, tinha que ser. Se não for hoje, nunca mais. Será? Acionava o pensamento positivo, pedia aos deuses. Precisava. Cadê a oportunidade? Cadê a audácia? Cadê a coragem? Passa-não-passa. Joga-não-joga. Beija-não-beija. Lerdeza. Espera. Almoça. Declara. Aceita. Conversa. Confessa. Era perfeito. Até aqueles que nem conheciam, pensavam, achavam, podiam ver. Saía fumaça, brilhava os olhos, tinha ímã. Chegava perto, contava segredos, convivia. Sabia de cor, como ninguém. Conhecia o remédio. Cada expressão. Cada chateação. A hora de brincar, falar, rir e reclamar. Sabia se calar. Não sabia mentir. Tentava disfarçar. A cara entregava. Ia trabalhar. Não sentia em acordar. Atrasava. Corria. Comia. Bebia. Sorria. A hora chegava. Tão rápido. O ônibus passava. A esperança esvaía. O encontro acabava. Menos um dia. Pesar. Vai ser amanhã? Vai ver amanhã? Semana que vem, quem sabe. Agoniza. Sofre. Pensa. Delicia-se. Pesa. Prós e contras. Decide. Fará o que for preciso. Quer. Terá. É só esperar.

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