E aí que, depois de tanta (des)ilusão,  resolvi deixar minha rebeldia amorosa de lado e abri a porteira do coração (olha que lindo!) pro certinho, bonitinho, aquele que tem futuro, a quem minha mãe amaria chamar de genro, leal, fiel. O certo.

É, ‘cuspi pra cima e caiu bem no meio da testa’, como diria minha astuta avó. Pois é, finalmente me envolvia com o temido ‘bonzinho’.

E não é que me surpreendi? Parei com aquele pré-conceito bobo. Era tudo muito legal, tudo muito certo. Não tinha que me preocupar com aquelas típicas coisas, como ‘com quem está’, ‘aonde está’ ou ‘por que não ligou’. Não me dava nem a chance de indagar ou ter pequenos surtos. Afinal, estava sempre comigo e quando não era assim, dava satisfações que, pela primeira vez, nem eram tão requisitadas.

Tinha mensagem de boa noite, de bom dia. Até (acreditem se quiserem) mensagem de bom almoço e bom café. Tinha passeio de final de semana, tinha carinho explícito em público. Não tinha preocupações. Não me deixava errar, tudo sempre nos eixos, tudo sempre correto.

Legal, né? Não, um porre. Gostoso, né? Não, um tédio.

‘Calma, Ana, se acalma, se aguenta’, cantava quase como um mantra em posição de yoga enquanto me martirizava por não pensar nele quando ia dormir, por não ser a primeira imagem que me vinha a cabeça quando acordava, por não tê-lo me atormentando em sonhos e por não dedicar comentários maldosos, amorosos ou sofridos a ele em redes sociais. Definitivamente, não era dele a ligação tão esperada em datas comemorativas.

Tá errado, tá muito errado. Mais errado com o certo do que quando era com o errado. Era bom quando era o errado. Era vivo. Era certo.

O certo em detrimento do bom ou o bom em detrimento do certo? Ai, tá tudo errado, coração burro do caramba.

Tem que querer estar perto, tem que querer pegar, tem que valer a pena sofrer. Tem que querer arriscar e se fazer de idiota. Tem que acreditar em mentiras, tem que cegar, tem que pulsar. Não tem jeito, tem que vibrar, esperançosa, junto com o toque do celular. E tem, tem que esperar, ansiosa, pelo sms que nunca chega, que pode nunca chegar. Tem que se apaixonar.

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