Não aguento mais discutir o mesmo assunto over and over. As conversas viram monotemáticas demais até para mim, que não dispenso um debate sobre dor de amor.

Os conselhos, que nem peço, já até decorei. “Larga esse filho da puta”, “foque no seu trabalho, invista em você, dedique-se a se conhecer”, “não responda, não ligue, desencane” e o meu favorito: “mas uma mulher tão bonita, tão inteligente, tão madura, tão querida e tão especial, como cai num negócio burro desses?”. Afaga o ego que é uma beleza. E eu sei. De tudo. E agradeço pela preocupação. Mas devo comunicar que não sofro mais da cegueira do envolvimento. Esta já não compromete mais minha visão. De uma certa forma, é tudo nítido, claro e límpido. E até enxergo o cinza ao invés do cor de rosa. Por vezes, também acho feio.  

Mas há muitas coisas nesse injusto mundo dos sentimentos que não se pode controlar. E meu coração sempre foi meio idiota mesmo. “Uma porta para o inferno”, descreveu a astróloga, que soube ler com muito afinco a parte nebulosa das emoções, presente em meu mapa. Ela estava certa ao constatar que continuaria a lhe encontrar. Que aquilo, meu amigo, não acabaria por ali não. Deve ter acertado também ao dizer que devemos nos conhecer de outras vidas, tamanha a sintonia. Maldita sintonia que me impede de lhe negar. Que me incita a continuar errando.

Errado eu sei que é, sempre soube – e consenti. Incomoda aqueles que tanto me consideram. Porque me fere. Eu sei. Mas também me acalenta. Eu juro. E (infelizmente, penso) o poder de julgamento cabe só a mim, que tenho consciência da minha situação e de meus sentimentos.

Pedirei ajuda, se o fardo ficar pesado demais. Porém, entendo que muito do caminho devo trilhar sozinha. As escolhas, quase nunca racionais, só eu posso fazer. E com as consequências – vezes fáceis, vezes difícies – também sou eu que tenho que lidar. E encaro. Por mais caro que me saia.

Então fica combinado assim: enquanto o bem que me faz ao lhe ver, compensar todo o mal de quando em sua ausência, considerarei que ainda vale a pena.

Só dessa vez, deixarei a inteligência para as opiniões e pitacos dos amigos nos encontros em bares de segunda feira. E continuarei insistindo, por mais burro que isso seja.

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