Andei procurando, com muito afinco, depositar em terceiros a razão de minhas constantes lágrimas. Sem sucesso.
Resolvo escolher outra cor de esmalte e corto o cabelo. Típica decisão de mulher insatisfeita. Entendo, então, que é hora de mudar também as atitudes.
E peço desculpas a mim. Decisões erradas e longos caminhos tortuosos escolhidos. Tudo culpa minha. Encontrava, dissimuladamente, justificativas plausíveis para tamanho desdém para com a minha pessoa. Falta de amor próprio e pouco valor foi o que me dei de presente.
Procurei, já abalada, mais uma vez, terceiros que pudessem me ajustar, resolver e organizar. Mas não. Nenhum caso de uma só noite ou qualquer psicólogo conceituado foi ou será capaz de me curar e acalentar. Só eu. Prometo, nesses novos tempos, cuidar de você (no caso, eu) como tentara cuidar de outros. E o amor doado – pesado – será, agora, leve – visto que habitamos o mesmo corpo e temos acesso aos nossos pensamentos e sentimentos. Um casamento assim, sem Elvis ou capela em Las Vegas (podemos até pensar em um final de semana em lua de mel, quem sabe), meu comigo mesma. E os meus sinceros votos de que sejamos felizes para sempre.
Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Como deve ser.

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