E chega o dia – geralmente em uma terça feira de sol encoberto por nuvens – em que dá o fatídico estalo e, finalmente, nos perguntamos ‘o que raios estou fazendo aqui?’.

E tudo aquilo que antes fazia chorar, vira motivo de incontroláveis risos – dessa vez leves e serenos.

Os óculos cor de rosa caem. Ao mesmo tempo, o mundo não colore apenas em tons de cinza. Para nossa surpresa, o céu é azul, o sol amarelo e o sorriso de um branco que chega a cegar.

Não rimos mais apenas por educação. Vemos graça na piada infame contada pelo chato do departamento de informática. Os colegas de trabalho (pasmem!) podem até ser muito legais.

Entretanto, como a carne é fraca, não nos desfazemos por total dos frágeis laços. Deixamos que o tempo passe – porque é só isso que ele sabe fazer – e que cumpra com sua função de cessar aquilo que deve.

O ‘não’ não-proferido, disfarçado por falsa doçura e preocupação, nem machuca mais. A vontade, confessemos, é de mandar à merda. Mas apenas sorrimos.

A vingança, afinal, nem sempre vem embrulhada por duras palavras.

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