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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

dezembro 2011

Pode vir, 2012

Quem acompanha o blog sabe as merdas e maravilhas que 2011 me proporcionou. Pensei em escrever uma retrospectiva que contasse que, neste ano, alcancei o céu e o inferno por diversas vezes.

Mas pensei que não faria sentido retomar as perdas dolorosas ou os momentos fantásticos que tive com meus amigos. Acho desnecessário revelar aqui o apoio e compreensão que tive de minha família quando a correria do dia a dia, teimava em se transformar em mau humor matinal (e, não raras vezes, noturno).

Creio não ser muito pertinente também anunciar o já sabido e repetido fato de que o amor – assim como a astróloga havia (mais ou menos) previsto – esteve presente em minha vida, mas de uma maneira torta, estranha e, por vezes, errada.

Porém, se quer saber, não colocaria, nem se pudesse, mais razão nas decisões que tomei usando apenas o coração. Nem ao menos mudaria vírgula alguma em textos dramáticos e confissões aqui escancaradas. Valeu a pena, para o bem e para o mal.

O ano teve seus altos e baixos, mas isso não é privilégio meu e muito menos novidade. Bom ou ruim, chegou ao seu fim.

Graças a essa montanha russa de acontecimentos e emoções, 2011 foi um ano de muitos posts. Ainda bem!

Agradeço então a todos que acompanharam a trajetória narrada e, principalmente, àqueles que – direta ou indiretamente – me serviram de inspiração.

Que venha 2012 (com ou sem superstição), trazendo na bagagem – ainda vazia – novas personagens e muitas histórias para contar.

Feliz ano novo!

Ressaca

A gente vai ficar na fossa, vai chorar um pouco, deixando escorrer o corpo e o rímel pelo box, debaixo do chuveiro. Mas tudo isso, eventualmente, vai passar.

E vai deixar de existir também, em algum momento, a vontade de insistir e tentar mais uma vez. O toque do celular não mais iniciará um ataque cardíaco e a falta de ar, juntamente com a dor de estômago – causados pela espera do e-mail que nunca adentrará a caixa –, cessará.

Eu prometo que, assim como das outras vezes, haverá, com o tempo, a volta da percepção de que há sim outras pessoas interessantes no mundo e que é possível encantar-se novamente.

Por algumas semanas (ou meses, infelizmente não tenho como garantir), será preciso sobreviver. Mas viver, uma hora ou outra, estará novamente nos planos a curto prazo.

Prevejo irritação, falta de fome, excesso de sono e escassa vontade de sorrir verdadeiramente.

A visita a casa de amigos ou a simples ida a lugares públicos, provavelmente será feita arrastada, por pura obrigação. E a bebida ora acalmará, ora desesperará.

Vai ser preciso coragem ou pura necessidade para sair da cama. Mas passadas todas as etapas, a vida deve voltar, gradualmente, a ser bela. O sol voltará a nascer, as músicas voltarão a fazer sentido e todos aqueles clichês serão reais.

Um dia, eu juro. Agora, porém, provavelmente só em meados de 2012. Mas nem adianta revoltar-se, é assim mesmo que funciona. Se alguém lhe disse que seria fácil, mentiu.

Então é natal

Nota: os membros que compõem minha família, além de bagunceiros e bagunçados, são o máximo e eu realmente não sei o que seria das minhas datas comemorativas sem eles

Para desgosto da minha mãe, não sou uma pessoa muito natalina. Isso porque, desde muito pequena, observo minha avó – lê-se ‘a pessoa mais bem humorada, engraçada, de bem com a vida e que mais fala palavrão que conheço’ – já começar a chorar pelos cantos semanas antes de assar o coitado do Peru – menu que também não é lá meu favorito.

A data, para ela, é sinônimo de reflexão, muita saudade doída e consequente melancolia. Não tem como ficar feliz, nem se eu fosse apaixonada por panetone. Isso sem contar o calor que, na minha visão, está mais para castigo do que benção divina sobre o famigerado país tropical. 

O natal é sempre comemorado lá em casa, para minha infelicidade. O dia, que promete ser de festança, ano após ano começa com estresse. Logo às oito horas da manhã, sou arrancada da cama  – com uma delicadeza que Jesus, certamente, condenaria – com o objetivo de ajudar a deixar a casa em ordem (vale lembrar, porém, que o resto da parentada só dá as caras lá pelas onze da noite). Tudo ao som de broncas e berros misturados a músicas natalinas no (juro!) cavaquinho.

A arrumação inclui banheiros, camas, quartos, lavar o quintal, entuchar as roupas espalhadas nos armários e fazer mágica para comer sem deixar resquício de farelos e afins pela cozinha. Quando parece que vai ficar tudo bem, toda tarde de todo santo natal, meu pai – com uma habilidade enorme para fazer sujeira e irritar sua esposa – resolve consertar uma torneira quebrada há uns belos três meses e, no exato momento em que descobre, minha mãe faz valer o sangue italiano que corre em suas veias. A gritaria, inevitavelmente, começa aí. E só termina na missa do galo.  

Também o amigo secreto, todo ano é a mesma coisa. Aquele tio engraçadão, invariavelmente, tira a tia que gosta de jogar truco, alguém faz alguma piada infame, algum casal mal resolvido sempre briga e fica de cara feia, alguma tia resolve colocar na vitrola o CD da Simone com a faixa ‘então é natal’ no infinito repeat para irritar meu pai e, quando dá meia noite, a família ataca – esfomeada e sem a menor finesse – o frango com farofa da minha avó como se fossem todos retirantes nordestinos. Chega a ser comovente.

A melhor parte mesmo é quando os tios mais chatos resolvem ir dormir e juntamos os primos, a tia mais descolada e o avô engraçadão ao redor da piscina. O objetivo é acabar com os líquidos restantes em todas as garrafas presentes – sejam elas de uísque, cerveja, champagne quente ou vinho ruim. Geralmente, alguém cai na água com celular no bolso e/ou vomita em algum saco de presente. A última ceia me rendeu uma fama familiar que carregarei pelo resto da vida.

A pior parte é o almoço do dia 25. O evento, que acontece no salão perto da casa da tia que mora longe, já é tradição. A comilança proporciona azia, mas também emocionantes reencontros de primos distantes. Chega a ser lindo. Tudo isso, não fosse a ressaca, até que seria fácil.

O problema, porém, é encarar – com enjoo e dor de cabeça – tias que só te veem uma vez por ano, nunca lembram ‘no que foi mesmo que você se formou’ e, ainda assim, questionam seu salário, seu corte de cabelo, sua provável mudança de casa e a sua (não-existente) vida amorosa.

Papo vai, papo vem, tiramos a famosa foto da família inteira reunida e já depositamos o dinheiro do bolão – que é para ver quem acerta qual casal vai resistir ao ano novo e permanecer unido para a foto do natal que vem.

Se sobreviventes, ficamos horas tentando nos despedir de todos – sempre esquecendo, obviamente, alguém que nos ligará mais tarde só para cobrar um ‘tchau’ decente – e damos graças por poder ir embora, desmontar a árvore, arrumar a bagunça que ficou na casa e dar fim ao evento-clássico-trágico-cômico-adorável que só se repetirá (se Deus permitir) dali a doze meses.

Leia-me

Nota: este texto é uma reedição (da série ‘E-mails que, desesperada, mandei’)

Você me dá vontade de voltar a fumar, que é pra ver se supre de alguma maneira, se alivia essa tensão que mistura ansiedade com angústia.

E aí eu percebo que fiz aquilo que prometi que não faria, desde o começo. Aquilo que me dá um medo danado, que tira o sono e a concentração. Tô me envolvendo demais. Muito mais do que devia ou podia. E não, eu não quero deixar de aparecer no seu cotidiano que já não me diz respeito, porque não, eu não me importo mesmo com o que pensam as pessoas, independentemente de serem meus amigos ou não. Porque eu não sei como vai ser quando eu não tiver mais desculpas plausíveis para ficar zanzando pela sua vida assim, à toa.

E eu não consigo dizer isso olhando nos seus olhos porque sempre fui melhor escrevendo do que falando e tenho certeza que vou balbuciar palavras que não vão fazer o menor sentido, fazendo com que eu fique sem graça, sem vontade de repetir e tentar de novo proferir algo coerente, porque vai soar ridículo. Como tantas vezes já aconteceu.

E aí eu saio pra dar uma volta no quarteirão, porque a vontade de fumar o segundo cigarro imaginário tá incontrolável. E aí eu lembro que tenho mais um monte de coisas para fazer, mas fica difícil concentrar. Então eu deixo para lá e sinto que nunca foi tão bom ligar o foda-se. Foda-se, vai!

Eu penso no quão errado é essa história de ficar assim com você e não sei direito o quão filho da puta você está sendo ou pode vir a ser. E penso na sua namorada. Não, eu nunca penso nela. Quando um ensaio de reflexão sobre o assunto se faz em minha cabeça, eu abstraio, dou um jeito, foco no trabalho. E, a essa altura do campeonato, eu já tô no terceiro cigarro daquele lá, para tentar esquecer o terceiro elemento, assim como esqueço quando estou com você. E aí eu lembro que não me importo mais com as suas condições, se é certo ou errado, se pode ou se não pode, se devo ou se não devo.

O quarto cigarro tem gosto de vale a pena, porque seria um pecado desperdiçar essa ligação tão forte, a sintonia, a química. Porque é tão difícil achar alguém com quem a gente se de tão bem, que goste tanto de estar perto. E aí se vai o quinto cigarro, aquele que quer dizer que está na hora de fazer valer a pena mesmo. Porque se é errado, já não tem mais como fazer ser certo.

Inevitavelmente, o sexto cigarro vem com o impulso de apagar tudo que vomitei na tela do celular e nunca te deixar saber. Vem o sétimo, oitavo, nono, lá se vai metade de um maço de Marlboro light imaginário.

No décimo primeiro decido apertar o send, como que para me livrar logo desse peso de palavras engasgadas e ligar o foda-se até para você, para o que vai pensar do que vai ler ao abrir o email.

Foda-se, vou fumar o maço inteiro, apertar o send e te encontrar amanhã com a mesma naturalidade de sempre, mesmo sabendo que agora você conhece minhas fraquezas, meus dois novos vícios: cigarro imaginário e você.

Autoajuda

Se quiser me entender, não desconsidere textos passados, por mais que o novo os contradiga. Oscilo. É surpreendente a capacidade que tenho de ir de um extremo a outro em uma única virada de página.

Minhas estratégias textuais já não existem – são baseadas em ironia, lugar-comum e drama, muito drama. A filosofia utilizada por mim será sempre a de boteco. Minhas entrelinhas bóiam em um copo de cerveja, uísque ou vinho – tudo depende da gravidade da situação a ser descrita. A máquina de escrever é sempre defumada pelo cigarro constantemente aceso no cinzeiro de vidro, por mais que imaginário.

Sou egoísta, mas não confesso. “Você tem que pensar no que quer transmitir ao leitor”, o renomado mestre aconselha – na melhor das intenções. Apenas balanço a cabeça, fingindo concordar. É a maneira de não revelar a vergonha de dizer que já não me importo com aquele que vai ler.

As palavras expostas a quem quiser, servem-me de economia por conta da fortuna não gasta em diferentes linhas da psicologia. A página em branco no word é chamada terapia.

Sê complexo, embora simples

A gente se entende por meio de doces palavras escritas. Já não há mais raiva, vontade de vingança ou esquecimento. Há apenas carinho e saudade. A distância se faz longa, por mais que curta. Talvez seja o medo. Às vezes nos damos muito melhor quando longe, mesmo que perto. O comunicar de todo dia não leva ao afastamento, mesmo que impessoal. Sabemos estar em nossas mentes, fazer parte de nossas rotinas e sorrimos ao abrir o texto que só lembra momentos passados. Bons.

A vontade ainda existe, por mais que saibamos que talvez tenhamos chance de durar apenas assim, separados. Mas juntamos, porque não tem jeito, nossas propriedades magnéticas são capazes de formar um perfeito ímã. Nossos polos se completam, mesmo à nossa maneira. Estranha.

Eu falo que quero, ele fala que quer. Mas ninguém faz nada e a gente fica assim mesmo. Eu aqui, pensando nele. Ele lá, pensando em mim.

Seria mais fácil simplesmente desejarmos e expormos para, assim, vivermos. Mas disfarçamos. Inventamos desculpas. Arrumamos motivos. Complicamos. E é só o que sabemos fazer. E o fazemos com propriedade.

Ressabiamos. Temos medo de ver e, de novo, perder. Estragar. Enjoar. Caminhamos com um pé no novo, mas o outro (de certo o esquerdo) parece enterrado em algum concreto no chão de um mundo que é só nosso. Não se mexe, por mais que tentemos. E a gente deixa. A gente não se deixa.

E que seja novo. Amém!

Chega de 2011 – que já se arrasta, carregando um pesado fardo nas costas. Chega desse lenga lenga, dessa falsa expectativa e chega, de uma vez por todas, da ilusão que me assola todo final de tarde e em toda resposta mal dada nas mensagens cada vez menos frequentes.

Não quero mais óculos cor de rosa, não quero ter vontade de cantar ao atravessar a avenida paulista, não quero sonhar, esperar, comunicar, inventar, enviar, tentar, negociar, insistir. Não quero amar. Sei que parece meio radical, mas, simplesmente, não quero mais. Não se do pacote fizer parte o choro no meio da comédia e o desespero ao deixar a água do banho cair.

Não vale a pena não ter mais vontade de ouvir às canções favoritas só porque trará lembranças desagradáveis, culminando em lágrimas – inconvenientemente incontroláveis – que nem sabem mais o porquê de tanto rolarem rosto a baixo. Não vale o aperto no fundo do peito.

Não dá para querer voltar a fumar a cada trago de mentira engolido duramente pela garganta seca de carinho. Não adianta frequentar a academia apenas para liberar endorfina – uma alternativa a substâncias ilícitas. É enganar-se e querer fugir do mesmo jeito. É covardia de qualquer forma. É mentira. E eu sei.

Se o vinho tão caro e bem avaliado tem gosto de fel, não compensa o custo-benefício. É preciso buscar mel para adoçar um pouco a vida, por mais tortuoso que seja o caminho até a colmeia.

Não espero um milagre, não. Só quero pagar logo minhas dívidas, fechar meus contratos e terminar meus textos. Para poder subir logo na cadeira e – com o pé direito, lentilha na boca, calcinha e esmalte vermelhos, vestido branco, mala nas costas e sorriso no rosto (superstição é uma merda) – estourar a melhor champagne, acreditando nas (mesmo que impossíveis ou irreais) intenções que, com muita fé, farei para 2012.

Só para ver se, assim, a gente transfere a esperança e o alto investimento para algo que possa render ou que, pelo menos, realmente mereça.

Ao começo da boa saudade

Em um momento de quase insanidade mental, puro êxtase proveniente do falso sentimento de enfim liberdade das amarras da dor que havia sentido, puxei o envelope que há muito habitava a bagunçada e revirada gaveta.

Cacau, como sempre o chamara – nem me pergunte o porquê –, também era canceriano, como eu, e pensava nos mínimos detalhes. A fita vermelha, minha cor favorita, amarrava com muita delicadeza palavras que jamais saberei reescrever.

Minha expectativa era mórbida, para combinar com a situação. Imaginava nuvens negras sobrevoando a escrita densa e sofrida. Dez anos de amizade e eu ainda não aprendi. Até morto, o ‘cidadão do mundo’ – como muitos o chamavam – é capaz de me surpreender.

“Chega de drama, dona Ana”, é o que certamente me diria neste exato momento de lágrimas escorrendo pelo teclado judiado do já muito usado computador. Foi assim que sua carta começou.

Uma viagem pelo tempo, relembrando cenários, memórias, o pátio do colégio que guardava meus sonhos de aspirante a escritora. Ele, o menino mais velho, que me enchia o saco por conta dos desenhos mal feitos deixados na mesa da inspetora quando chegávamos atrasados. Sempre chegávamos atrasados. E foi ali mesmo, na salinha daqueles que não conseguiam cumprir com o horário, que o cantinho mais disputado do primeiro andar – que era só meu – passou a ser nosso.

Fatídicas manhãs de segundas feiras em que fui apresentada ao rock clássico, destoando das meninas da mesma idade, que se deleitavam ao ruído mal interpretado de pagodes e duplas de criaturas a quem ousavam denominar “cantores”. “Isso sim é música de verdade, guria”, me convencia ao entregar-me uma cartilha com letras de quase todas as canções dos Beatles. ‘I’ll be back’ seguiria sendo nossa preferida pelos próximos muitos anos – descritos, por ele, à mão.

Muito do que Cacau lindamente escreveu, eu já nem me lembrava. A dor havia sido tanta, tanto sofrimento, lutas, desafios e ensaios de esperança, que a intensidade de nossos habituais risos e lágrimas se espalharam como que com o vento pela memória remota. Os flashes voltam todos agora.

Não dói. Acalenta. A leitura só faz sorrir. E no meio de frases me pego entendendo o objetivo de tanto detalhe. Não faria nada diferente. Se fosse eu, quereria ser lembrada da mesma maneira, com a mesma leveza e doçura.

Dividíamos nossa vida inteira. Ninguém no mundo me conhecia mais. Sendo assim, Cacau, então, me deixa conselhos que só ele saberia dar e só eu poderia entender. “Chega de drama”, “seja feliz enquanto valer a pena”, “abandone qualquer um , mas nunca aquele sonho ” e “lembre-se que chegamos e vamos embora da vida sozinhos. As pessoas com quem vamos dividir nosso trajeto devem ser escolhidas a dedo, porque só servem para fazer do árduo caminho longo, um prazeroso caminho curto”.

Sorrio. Mais uma vez. Sua veia meio poeta-filósofo-de-buteco, com frases-clichê proferidas de maneira teatral, sempre me encantava e envergonhava ao mesmo tempo.

Leio a última linha e fecho a última página. O poder das palavras só conhece quem por ele já foi submetido. Estarrecedor. Era tão real que soava como uma conversa, daquelas longas que tínhamos semanalmente, quase como religião.

Sinto que não seria, assim, tão irreal, se o sempre brincalhão  amigo saltasse de detrás do lixo do trabalho. Devia estar ali. Inconscientemente, procuro. Obviamente, não acho. Entendo.

Ouço com exímia clareza o som da ficha finalmente caindo. Conversas e conselhos. Cafés e chocolates suíssos. Peças de teatro, cinemas improvisados, botecos na baixa Augusta, viagens de final de semana, um carro e nenhum destino, personagens de um livro antigo, bibliotecas no meio da tarde. Nunca mais.

Disparo desespero em forma de inúmeras ligações e mensagens de texto. De resposta, sobra apenas solidão e lágrimas. Incrível. Seco por dentro, desidrato, desmorono. Cai a pele, a roupa, o ânimo. Caio no sofá.

Mundo injusto, concluo. Me apego a todas as religiões existentes ou inventadas por mim. Recomponho peça por peça. Falta um pedaço e, dessa vez, não finjo que não noto. Aprendi.

Volto a ser eu mesma. Frígida de choro, de uma enorme dificuldade de deixar molhar os olhos, por mais que estimulada.  Jeitão meu que, por hora, me sustenta.

Compreendo a falta como sendo a consequência de um passado de boas lembranças. Não há mais revolta, apenas gratidão. Da sorte que tive, não é justo, afinal, querer reclamar. Paro, então de pressionar o desconhecido, de exigir explicações da vida.

Hoje, se tivesse apenas um pedido a fazer, desejaria o endereço do divino. Deus ou Destino, tanto faz – diferentes nomes para mesmas indagações. E não seria para brigar, eu juro. Só queria um lugar para onde pudesse mandar uma notinha, o papel amassado, carinhosamente rabiscado, aquele que diz “muito obrigada por ter me apresentado um alguém capaz de fazer do mundo um lugar mais feliz”.

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