Chega de 2011 – que já se arrasta, carregando um pesado fardo nas costas. Chega desse lenga lenga, dessa falsa expectativa e chega, de uma vez por todas, da ilusão que me assola todo final de tarde e em toda resposta mal dada nas mensagens cada vez menos frequentes.

Não quero mais óculos cor de rosa, não quero ter vontade de cantar ao atravessar a avenida paulista, não quero sonhar, esperar, comunicar, inventar, enviar, tentar, negociar, insistir. Não quero amar. Sei que parece meio radical, mas, simplesmente, não quero mais. Não se do pacote fizer parte o choro no meio da comédia e o desespero ao deixar a água do banho cair.

Não vale a pena não ter mais vontade de ouvir às canções favoritas só porque trará lembranças desagradáveis, culminando em lágrimas – inconvenientemente incontroláveis – que nem sabem mais o porquê de tanto rolarem rosto a baixo. Não vale o aperto no fundo do peito.

Não dá para querer voltar a fumar a cada trago de mentira engolido duramente pela garganta seca de carinho. Não adianta frequentar a academia apenas para liberar endorfina – uma alternativa a substâncias ilícitas. É enganar-se e querer fugir do mesmo jeito. É covardia de qualquer forma. É mentira. E eu sei.

Se o vinho tão caro e bem avaliado tem gosto de fel, não compensa o custo-benefício. É preciso buscar mel para adoçar um pouco a vida, por mais tortuoso que seja o caminho até a colmeia.

Não espero um milagre, não. Só quero pagar logo minhas dívidas, fechar meus contratos e terminar meus textos. Para poder subir logo na cadeira e – com o pé direito, lentilha na boca, calcinha e esmalte vermelhos, vestido branco, mala nas costas e sorriso no rosto (superstição é uma merda) – estourar a melhor champagne, acreditando nas (mesmo que impossíveis ou irreais) intenções que, com muita fé, farei para 2012.

Só para ver se, assim, a gente transfere a esperança e o alto investimento para algo que possa render ou que, pelo menos, realmente mereça.

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