A gente se entende por meio de doces palavras escritas. Já não há mais raiva, vontade de vingança ou esquecimento. Há apenas carinho e saudade. A distância se faz longa, por mais que curta. Talvez seja o medo. Às vezes nos damos muito melhor quando longe, mesmo que perto. O comunicar de todo dia não leva ao afastamento, mesmo que impessoal. Sabemos estar em nossas mentes, fazer parte de nossas rotinas e sorrimos ao abrir o texto que só lembra momentos passados. Bons.

A vontade ainda existe, por mais que saibamos que talvez tenhamos chance de durar apenas assim, separados. Mas juntamos, porque não tem jeito, nossas propriedades magnéticas são capazes de formar um perfeito ímã. Nossos polos se completam, mesmo à nossa maneira. Estranha.

Eu falo que quero, ele fala que quer. Mas ninguém faz nada e a gente fica assim mesmo. Eu aqui, pensando nele. Ele lá, pensando em mim.

Seria mais fácil simplesmente desejarmos e expormos para, assim, vivermos. Mas disfarçamos. Inventamos desculpas. Arrumamos motivos. Complicamos. E é só o que sabemos fazer. E o fazemos com propriedade.

Ressabiamos. Temos medo de ver e, de novo, perder. Estragar. Enjoar. Caminhamos com um pé no novo, mas o outro (de certo o esquerdo) parece enterrado em algum concreto no chão de um mundo que é só nosso. Não se mexe, por mais que tentemos. E a gente deixa. A gente não se deixa.

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