A gente vai ficar na fossa, vai chorar um pouco, deixando escorrer o corpo e o rímel pelo box, debaixo do chuveiro. Mas tudo isso, eventualmente, vai passar.

E vai deixar de existir também, em algum momento, a vontade de insistir e tentar mais uma vez. O toque do celular não mais iniciará um ataque cardíaco e a falta de ar, juntamente com a dor de estômago – causados pela espera do e-mail que nunca adentrará a caixa –, cessará.

Eu prometo que, assim como das outras vezes, haverá, com o tempo, a volta da percepção de que há sim outras pessoas interessantes no mundo e que é possível encantar-se novamente.

Por algumas semanas (ou meses, infelizmente não tenho como garantir), será preciso sobreviver. Mas viver, uma hora ou outra, estará novamente nos planos a curto prazo.

Prevejo irritação, falta de fome, excesso de sono e escassa vontade de sorrir verdadeiramente.

A visita a casa de amigos ou a simples ida a lugares públicos, provavelmente será feita arrastada, por pura obrigação. E a bebida ora acalmará, ora desesperará.

Vai ser preciso coragem ou pura necessidade para sair da cama. Mas passadas todas as etapas, a vida deve voltar, gradualmente, a ser bela. O sol voltará a nascer, as músicas voltarão a fazer sentido e todos aqueles clichês serão reais.

Um dia, eu juro. Agora, porém, provavelmente só em meados de 2012. Mas nem adianta revoltar-se, é assim mesmo que funciona. Se alguém lhe disse que seria fácil, mentiu.

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