Hoje é sexta feira. Não são nem nove da noite. Já estou na cama. De pijama. Com meu livro. E estou muito feliz.

Poderia, do alto dos meus 22 anos, dizer que tenho trabalhado demais. Que estou cansada. Mas todos sabemos que, apesar de verdade, seria mentira. Não tem jeito, sou velha.

Se eu pudesse, confesso, teria sido uma adolescente normal, do tipo que curte ficar muito louca na balada. Juro.

Mas era do tipo que ficava conversando com a moça do banheiro enquanto descansava os pés, sentada em cima da pia, reclamando da altura do som.

Nunca aproveitei balada alguma. Ficava só na única caipirinha – que, ao longo da noite, virava água – e ainda tinha que cuidar dos amigos que, ao vomitar na manhã seguinte, imaginavam (vagamente e por meio de relances embaçados) ter aproveitado até demais.

Quanto a homens, eu tinha um lema: se não for o Brad Pitt, não informo nem meu nome. Adivinha, só! Nunca pegava ninguém. Tinha um certo asco dos caras que já deviam ter amassado umas cinco antes de vir tentar a sorte comigo. E não estou nem levando em conta os peculiares métodos de abordagem.

Era fila para entrar, para beber, para pagar, para sair. O aglomerado era tanto que a minha sensação era a de dançar dentro de um vagão de metrô lotado, pedindo desculpas pelos esbarrões e tomando cuidado, a fim de se esquivar das inúmeras cotoveladas e pisões.

Eram horas de preparação – das quais faziam parte cabelo, vestido e maquiagem – para passar a noite em um lugar escuro, de luzes ofuscantes (que não permitiam enxergar o rosto de ninguém, quanto menos a roupa nova), suando, fedendo a cigarro e tomando banho de cerveja.

Até tenho aqueles amigos que insistem. Mas não consigo entender a graça de um lugar como esse. Podem me chamar para os mais diferentes programas, juro que vou. Mas em baladas, não ponho os pés nunca mais.

Afinal, se a melhor parte (definitivamente!) era a filosofia divagada no banheiro – dividida com um alguém que estava ali a trabalho –, acho que faço bem em preferir minha cama, economizar uma grana preta e curtir minha mania de velhice.

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