E aí percebemos que a arte imita mais a vida do que a vida imita a arte. Infelizmente, nem todos os absurdos aos quais assistimos refere-se a uma ficção.

Descobrimos que o ator coadjuvante – aquele que tem que passar pelas merdas todas protagonizadas pelo ator principal –, não dorme por conta dos berros desesperados, desprovidos de qualquer motivo plausível aparente. Noites desperdiçadas pelo desespero de não entender o porquê.

O ignorado figurante, levanta no dia seguinte com a cara lavada, cansada. O pouco de maquiagem, para olheiras, esconde uma trama digna de filme.

Enquanto  o público deixa a sala escura para ir ao bar discutir sobre os absurdos abordados de maneira pesada no roteiro, o ator trabalha, sorri, aprende e conta piada. Vive uma vida que não é a sua, vive uma vida de filme – do protagonista que queria ser.

E ninguém desconfia. O espectador só vê aquilo que o roteiro estipula, deixa. Mas quem é diretor de seu próprio filme, nem sempre consegue esconder o making off.

E aquele que desfruta apenas do cinema, já não sabe se sabe lidar quando passa a assistir a fragmentos da vida real – sem pipoca, refrigerante ou qualquer possibilidade de deixar o espetáculo para ir ao banheiro.

Assustado, dorme assistindo a leves e graciosos desenhos, torcendo para que a história contada seja só mais um filme. Rezando, mesmo que sem fé, para que o drama não acabe em tragédia.

 

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