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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

abril 2012

Everything will be ok

Comecei a tomar o remédio para curar essa doença que, antes, chamava de amor.
Peguei a tortuosa estrada em direção à liberdade, que, antes, chamava de solidão.
Parei de me empaturrar de veneno, que, antes, chamava de chocolate.
Quase me afoguei no ritual de purificação, que, antes, chamava de banho.
Me desesperei com com o balde de água fria, sem lembrar que é com gelo que diminuímos o inchaço.
Me perdi em você, mas aí olhei para o espelho e encontrei a mim, que, antes, estava invisível.

Facada

E cadê você agora, para sossegar o aperto no peito e fazer passar a dor aguda, dilacerante, cortante, insuportável?

Cadê você com o papo de “estarei aqui para o que precisar”?

Era tudo mentira. Paixão passageira. Manchada de egoísmo. Alicerce de ilusão.

Era válido quando era bom. Quando estava ali, a um toque no celular, uma mensagem mal intencionada, um e-mail despretensioso, uma idiota tão simples de enganar.

Compensava exalar simpatia, compreensão, ligação.

Era fácil se perder, deixar levar, pensar amar, suspirar. Era digno de passar por cima de valores. Podia ser diferente. Era bom acreditar.

Agora, me diz – enquanto você foge, ataca-me com grosserias, confunde-me com o vilão, passa-se por vítima, sente pena de si mesmo e arremessa-me na lama da indiferença –, quem vai estancar o sangue, controlar a pressão, suturar, levantar da cama, enxugar as lágrimas e fazer sarar?

Era falso.
Cada expressão, promessa e preocupação.
Todo interesse e cuidado.
Era brincadeira, joguinho de menino.
Era costume.
Era caça.
Era fuga.
Era armadilha. E eu caí.

Falha na fé

Buscamos respostas na astrologia, cartas de tarô, I-ching, leitura de mãos e borra de café. Fazemos complexas perguntas a pêndulos de cristal, aceitamos conselhos malucos, anotamos receitas de simpatias e acatamos recomendações de bons pais de santo.

É nessa hora que o (antes) inabalável ceticismo cede o lugar para as mais diferentes crenças. Passamos a acreditar em destino, deuses ou qualquer oráculo que possa nos ouvir e abrir caminhos para um momento de paz, de satisfação, de menos angústia, mais esperança e, se tudo der certo, pelo menos uma pequena amostra de felicidade.

Dá desespero mesmo passar por tudo isso. Chorar no banho, perder a fome, ter vontade de se afundar nos lençóis e de lá nunca mais sair. É horrível não suportar ouvir canções, assistir a filmes ou sair para conversar com velhos amigos.

Insistimos, então, em misticismo, milagres e novenas. E quando cogitamos a possibilidade de discar o número desenhado no poste (aquele, que diz que traz a pessoa amada em três dias, arruma o emprego dos sonhos ou descola uma passagem só de ida), entendemos que existe uma linha muito tênue entre o acreditar em magia e apresentar um caso grave de insanidade crônica.

Quem nunca? Mas no momento, meu amigo, feliz ou infelizmente, não interessa se quem constrói o futuro é o destino, forças maiores ou nossas próprias escolhas. Chega de insistir e tentar entender, descobrir ou desvendar. É chegado o momento de esperar. De dar tempo ao tempo e exercer a difícil tarefa de ser paciente.

Agora, é engolir o choro e sobreviver – enquanto viver ainda parece impossível.

Too soon

E engulo a seco. Difícil pisar aqui novamente.

É muito piso, muita parede, muito tijolo, muita natureza, muitas lousas, muitas carteiras, muitas salas, muitos alunos, muito ladrilho, muitas portas. Abertas e fechadas.

Muitos computadores, espelhos, elevadores, escadas, cafés, calçadas, muros, bebedouros, apostilas, canetas, papéis, telefones, câmeras, microfones, sapatos, camisas, portões, seguranças, orelhas, barbas, bigodes, mãos, dedos, matérias, ônibus, corredores, padarias, risadas, almoços, encontros. Marcados ou não.

É muita rua, muitos bares, lugares, andares.
Muita memória para um só lugar.
Muito você ainda em mim.

Não tá fácil pra ninguém

tô com dor, tô com sono, tô frustrada.
tô atolada de trabalho, tô atrasada, tô encanada.
tô com saudade, tô com vontade, tô sofrendo.
tô em abstinência, tô com fome, tô de regime.
tô brava, tô carente, tô implorando.
tô caminhando, não tô chegando, tô perdendo tempo.
tô triste, tô chorando, tô superando.
tô cedendo, tô sucumbindo, tô voltando atrás.
tô ligando, não to atendendo, tô esperando.
tô desesperada, tô insistindo, tô sobrevivendo.
tô com medo, tô tentando, tô até rezando.
tô decepcionada. Comigo mesma e com o mundo.
Sabe mau humor? Então…

Nonsense

E bate o desespero
e batemos em todas as portas
sejam elas de madeira
com olho mágico
ou da esperança.
Esperamos
sem acomodar
levantamos da cadeira
corremos
em busca de sonhos
que nem sabemos sonhar
em busca de caminhos
que nem ousamos trilhar
em busca de respostas
que já não conseguimos perguntar.
Acreditamos
no poder do destino
na força das escolhas
e no melhor, que ainda há de chegar.

Lá em cima, no telhado

Lançou-se

Ao destino, ao que deus quiser, ao léu, ao céu.

Parou.

De sofrer, de medicar, de amar.

Cortou.

Os pulsos, o sofrimento e a saudade.

Matou.

A esperança, que teimava em viver.

Ligou.

Uma última vez, para ver se atendia. Se entendia.

Escreveu.

Para ver se passava, transbordava, desabafava.

Desistiu.

Da vida, da dor, dos porres.

Despiu.

A alma, a mente, o corpo. Para ficar leve.

E se jogou.

Do décimo nono andar.

Primeiro de abril

Depois de certas decisões tomadas, repensamos nossos caminhos e nossas jornadas.

Da vontade de contar um outro drama – que não fosse o meu -, comecei um novo projeto.

Conheça, então, as histórias de Pussy Jane e Lonely Lilly no Insanamente sã.

Mas calma. O ‘Escrevo’ vai continuar escrevendo. Porque juro que eu até tento, mas meu drama não acaba nunca. 

 

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