Buscamos respostas na astrologia, cartas de tarô, I-ching, leitura de mãos e borra de café. Fazemos complexas perguntas a pêndulos de cristal, aceitamos conselhos malucos, anotamos receitas de simpatias e acatamos recomendações de bons pais de santo.

É nessa hora que o (antes) inabalável ceticismo cede o lugar para as mais diferentes crenças. Passamos a acreditar em destino, deuses ou qualquer oráculo que possa nos ouvir e abrir caminhos para um momento de paz, de satisfação, de menos angústia, mais esperança e, se tudo der certo, pelo menos uma pequena amostra de felicidade.

Dá desespero mesmo passar por tudo isso. Chorar no banho, perder a fome, ter vontade de se afundar nos lençóis e de lá nunca mais sair. É horrível não suportar ouvir canções, assistir a filmes ou sair para conversar com velhos amigos.

Insistimos, então, em misticismo, milagres e novenas. E quando cogitamos a possibilidade de discar o número desenhado no poste (aquele, que diz que traz a pessoa amada em três dias, arruma o emprego dos sonhos ou descola uma passagem só de ida), entendemos que existe uma linha muito tênue entre o acreditar em magia e apresentar um caso grave de insanidade crônica.

Quem nunca? Mas no momento, meu amigo, feliz ou infelizmente, não interessa se quem constrói o futuro é o destino, forças maiores ou nossas próprias escolhas. Chega de insistir e tentar entender, descobrir ou desvendar. É chegado o momento de esperar. De dar tempo ao tempo e exercer a difícil tarefa de ser paciente.

Agora, é engolir o choro e sobreviver – enquanto viver ainda parece impossível.

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