E cadê você agora, para sossegar o aperto no peito e fazer passar a dor aguda, dilacerante, cortante, insuportável?

Cadê você com o papo de “estarei aqui para o que precisar”?

Era tudo mentira. Paixão passageira. Manchada de egoísmo. Alicerce de ilusão.

Era válido quando era bom. Quando estava ali, a um toque no celular, uma mensagem mal intencionada, um e-mail despretensioso, uma idiota tão simples de enganar.

Compensava exalar simpatia, compreensão, ligação.

Era fácil se perder, deixar levar, pensar amar, suspirar. Era digno de passar por cima de valores. Podia ser diferente. Era bom acreditar.

Agora, me diz – enquanto você foge, ataca-me com grosserias, confunde-me com o vilão, passa-se por vítima, sente pena de si mesmo e arremessa-me na lama da indiferença –, quem vai estancar o sangue, controlar a pressão, suturar, levantar da cama, enxugar as lágrimas e fazer sarar?

Era falso.
Cada expressão, promessa e preocupação.
Todo interesse e cuidado.
Era brincadeira, joguinho de menino.
Era costume.
Era caça.
Era fuga.
Era armadilha. E eu caí.

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