Não, não tá fácil. Não sei se pra ninguém. Mas, para mim, certamente não.

Nem escrever.

Nem sair.

Nem estudar.

Tem sido uma batalha, eu diria. Várias, na verdade. Pequenas lutas diárias – a hora de levantar, dirigir, entrevistar, socializar, fingir que tá tudo bem. Mas não tá.

E, às vezes, parece que só eu sei. Ainda bem.

Optei por não trabalhar de casa. Infinitos frilas, de infinitas editorias, com infinitos prazos. Nenhum texto sairia decente com minha versão jornalista fitando paredes recém-pintadas de um apartamento cuja nova decoração você nunca vai conhecer.


E digo nunca com autoridade. Coloquei um ponto final neste dramático texto maluco – mas que, internamente, não passa de mera reticência confusa, que quer ser transformada em interrogação e, por fim, em uma bela exclamação.

Mas não.

Contenho-me e não deixo nenhuma vírgula ter a audácia de se aproximar. O ponto é final. E ponto.

Meu lugar de assistir televisão é no chão, em cima de almofadas confortáveis de menos para as nádegas e demais para a situação. Jamais daria conta de sentar no sofá novamente. Maldito sofá. Que me traz lembranças do assoalho empoeirado, dos banheiros sem luz, da torneira sem água, dos quartos sem móveis, dos armários vazios e coração cheio.

Nostalgia errônea.

Memórias falsas.

Consequências da inconsequência.

Pequenas tragédias do cotidiano.

Mas a gente vai levando. Dando chance pro desconhecido, aceitando propostas indecentes, apostando em hipóteses de remotas oportunidades.

O que move é a fé de que a vida se encarrega de trazer as boas novas.