Chega de trabalhar essa pauta. Parece programa sensacionalista. Se a dor tá acabando, arrumamos uma maneira de fazê-la voltar a habitar infinitas páginas em branco do Word.

Aproveitamos um fiozinho de inspiração proveniente de uma grosseria, de um reencontro, de um suspiro de esperança e torcemos até a última gota do pano encharcado de sangue. Páginas e páginas de um mesmo obituário.

Choramos a morte de um corpo já decomposto, invocamos um espírito já reencarnado, não nos deixamos em paz.

Mais do mesmo. Mesmo quando demais.

Agora chega de expor a mesma dor. É honra não merecida ser tema de tanto texto, nem tem mais pano pra tanta manga.

Tirando os rascunhos – textos velhos que aproveitamos como novos quando a vida não nos deixa escrever – discorreremos sobre o sexo dos anjos, a morte da bezerra e a vida extraterrestre. Comentaremos assuntos de elevador como “será que vai chover?” e cabe até fofoca de famosos, caso fique mesmo difícil arrumar assunto.

De repente um poema sem sentido, quem sabe?

Ou umas rimas descabidas, ironia mal colocada, podemos até inventar uns verbos novos, que tal?

Talvez percamos alguns leitores. Porque, né? Dor de amor vende (até para mim, que escrevo sobre ela). Mas recuperaremos a sanidade mental e talvez ainda salvemos um restinho de dignidade. Torçamos!

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