…O buraco é fundo, acabou-se o mundo.

Ficou bebadinha no almoço de família e confessou ao primo de segundo grau os sonhos eróticos que andava tendo.
A tia brigou com o tio, que ofendeu a vó ao criticar sua comida salgada.
O vô dormiu no sofá, enquanto o timão perdia de 2×0.
A prima não saiu um segundo do celular, fofocando com amigas distantes, e a mãe tentava desvendar os segredos encontrados na mochila do filho.
O pau começou a quebrar quando o espertinho do cachorro lambeu o molho de tomate feito para o macarrão.
O irmão, astuto, comeu o frango – ainda intacto – sem saber que o pai percebia que tava doidão.
O vizinho trouxe uma boa sobremesa. Mas ninguém deu bola.
O astro, para variar, foi a torta de abóbora da vó, que, mesmo queimada, tinha gosto de tradição.
Tem gente que chora, que ri e que arruma desculpas para se safar – mas sempre tá lá.
E assim, todo domingo, é feita a mesma refeição.

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