Querida Ana,

Hoje é dia 6 de novembro de 2012.
Você (ou eu, não sei direito como mencionar-nos) está no México, vivendo na casa da Linda, estudando espanhol.
No último mês, Ana, você descobriu que, metaforicamente falando, há vida após a morte, há luz no final do túnel, não há noite longa que não encontre o dia.
Escolha, minha querida, o clichê que preferir, não importa. Você virou a página e descobriu que há muito mais a ler.
Hoje, amada, você acredita. Em sonhos, em um futuro, em destino. Mais que isso. Hoje, você acredita em você. Entende que, de fato, nenhum ser humano é uma ilha e que sim, você precisa de contatos e, vamos combinar, relações interpessoais que tenham a ver com atividade humana já não podem ser um sacrifício. Não pra você. Afinal, sabe que tem os melhores amigos que existem.
Mas também sabe que dá conta de muito sozinha. Que se adapta, que se esforça, que consegue. Seja lá o que for. Basta estar realmente determinada.
O medo ainda existe, claro, você nunca vai deixar de ser aquela menina que fazia das cobertas o esconderijo perfeito para qualquer mal que pudesse existir. Mas, agora, ele não anda mais a frente, impedindo a passagem, e muito menos atrás, empurrando pro penhasco. O medo, garota, anda ao lado, quase que de mãos dadas.
E a vida vai ficando divertida.
Você olha para trás grata pelos erros cometidos. Sem eles, jamais chegaria até aqui.
Agradece também os pontos positivos e, principalmente, a enorme base de apoio chamada família que sempre segurou as pontas quando viver era um pouco demais para você.
Neste momento, porém, não há dia mais importante que o dia de hoje – aquele, em que dá para diminuir as marcas e cicatrizes do passado e começar a construir um futuro mais colorido.
Desenhe, Ana. É esse o conselho que lhe dou para quando, em um ano, ler esta carta de novo. Desenhe na sala de aula ou no trabalho, quando estiver entediada ou cansada – você sabe que isso sempre te ajuda. Desenhe nas paredes quando sentir que precisa mudar a cara do apartamento – não há cor mais original que esta. Desenhe para amigos, entregue cartões feitos à mão – mais barato e pessoal. Desenhe as linhas da sua vida. A caneta, pelo menos em metade do tempo, está em suas mãos – é você quem decide se o próximo traço será à direita ou à esquerda.
Desenhe com cores. Pare de trabalhar somente com tons de cinza. Descubra cores inesperadas de misturas divertidas. Não tenha medo de ousar, criatura.
E seja muito, muito feliz.
Lembre-se: hoje é 6 de novembro de 2012 e, sim, você acredita.
Um beijo,
Ana.

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