E aí eu to sentada sozinha em um banco dessa praça em que essas crianças brincam e as pessoas passam e os poetas vendem suas dores e ideias e que, para muitos, trata-se apenas de um pedaço de papel menos importante que o higiênico. Fumo meu cigarro imaginário – sempre o faço quando está frio e pensar na vida é quase tão vital quanto respirar. Não ligo muito pros mariaches que fazem festa no coreto, atenho-me ao meu iPod. Prefiro uma banda ainda desconhecida pela massa que enche estádios de futebol e compra ingressos que valem o preço de um mês de aluguel de um apartamento mais ou menos habitável no centro de São Paulo. A vida segue a mesma, mesmo quando muito diferente. Nem lembro tanto daqueles que deixei em minhas terras também tropicais. É como uma defesa. Mas então, bem ao lado, meus olhos se deparam com três amigas abraçadas. Creio que não seja só o frio – carinho nunca dependeu de clima. E me dá vontade de tatuar um trevo e de abraçar aquela de bochechas rosadas, a única que me chama de Anita. Aqui não tenho apelidos, não. E não abraço com tanta frequencia quanto gostaria. E aí abro o facebook só para te mandar uma mensagem falando ‘oi, como estão as coisas por aí?’ e acaba saindo um texto.
Na verdade, só queria dizer que, puta que pariu, tô com saudades!
Beijo grande e, por favor, sinta-se abraçada. Faça-o, principalmente porque neste exato momento sou a mais louca da praça, agarrando minha jaqueta de couro como se cada manga e cada pedaço de tecido fosse você e as outras duas folhas que, vitais, me fazem sempre inteira.

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