Passei a tarde toda admirando folhas caírem de suas árvores no meio da praça.
A bebê gordinha, de quase dois anos, usava conjunto quentinho de calça e blusa rosas.
Só as xuxinhas nos cabelos se viam brancas – como as nuvens que fazem contraste no céu azul.
Com as mãos mais pequenas que já vi tão de perto, transportava as folhas caídas de um lado a outro.
Tropeçava com suas pernas de quase-gente, mas nunca caía.
Fazia sons que sua mãe nem tentava entender, enquanto lia a alguma mensagem – que julgo muito importante – em seu celular.
E assim o tempo passou, ao som dos galhos que bailavam ao ritmo do vento, como as folhas que mudavam de ares ao gosto da menininha.
E assim a noite chegou, trazendo no escuro a vontade adormecida de voltar à casa.

Cada um sabe o que melhor lhe serve de medicina.

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