Quem diria que um dia esta criatura que hoje brilha de felicidade e conquista a cada dia seu espaço, um dia foi “meu feto”. Tenho acompanhado sua trajetória assim, meio de longe. Sabendo da sua vida por facebook, tentando entender as fotos do instagram, torcendo em cada curtida, cada comentário, cada atualização de status. E tô bem feliz por você, por como você se tornou a mulher que é hoje. Mas ainda não me conformo com o fato de não conseguir reconhecer onde foi que a gente se perdeu. Tomamos rumos e escolas e religiões diferentes. Sim. Talvez até valores mudaram sem que a gente percebesse. Mas ainda me lembro dos grandes planos que tínhamos para nós – naquele tempo em que eu pensava em ser psicóloga e você já sabia muito bem que iria para a area do direito. Íamos ao cinema, cafés, jantares em restaurante japonês. Não tenho nem como contar tantas e quantas vezes li para você, e só para você, cartas que tinha medo de mandar, para amores que sabia que jamais iriam funcionar. Sabia também dos seus amores, sonhos, desejos. Quando foi mesmo que meu celular parou de tocar seu nome? Quando deixei de te convidar para seja lá o que fosse? Quando deixei de aceitar convites?
Sobrevivemos a muitos tropeços. Nossa amizade passou por buracos que caminhonete nenhuma passaria sem furar pneus. Talvez seja isso, preocupei-me com a lataria e esqueci de checar o motor. Em alguma curva dessa vida – vezes cruel – perdemos a engrenagem. Já não funciona nem a primeira marcha. Que lástima. De verdade, que pena. Mas ainda tenho o retrovisor com histórias e cartas e risadas e segredos que nunca vão sair da memória. E como quem namora, apenas pela vitrine, um veículo que já não pode comprar, estou sempre de olho nas suas novidades, só para ter a certeza de que, mesmo sem mim, caminha com tranquilidade. Enfim, tudo isso só para dizer que quero mesmo mesmo mesmo que seja feliz e que sinto muita muita muita saudade.

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