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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

janeiro 2013

My huge little brother

Ele só tem 16 anos (sei que são 18, mas já foi um grande avanço colocar em minha mente que ele não tem mais 14), mas uma cabeça melhor que a minha. Nem acabou o ensino médio, mas já sabemos que será mais bem sucedido que eu. Fui visitá-lo em terras distantes e me deparei com um homem feito, responsável, de coração gigantesco e ética impecável. Uma vez liguei para ele em prantos e a criança que tanto me irritava quando éramos mais jovens, me aconselhou, me acalmou e me disse para não ligar para a reação de meu pai para certas coisas, que, muitas vezes, a briga era só uma maneira torta de mostrar que sente saudades.
Meu irmão fez amigos no exterior, encantou a sua família canadense, fala inglês tão rápido e quase melhor do que fala português e agora vai voltar para casa. E eu queria voltar também, queria eu também aproveitar esta época de sentimentos misturados e confusos que vêm junto com um amadurecimento precoce inexplicável.
Queria acompanhar esta época de menino-homem, morrer de rir de suas piadas, pedir conselhos sobre a vida e pegar para mim um pouco de seu bom humor.
Que sorte tive de não passar tanto tempo na casa que sem ele se faz tão vazia. Creio que, no fundo, quis ir embora também para fugir deste aperto do quarto vazio, de não ter companhia para passeios idiotas como ir lavar o carro em uma tarde de domingo ou fugir da academia para comer McDonald’s.
Quando eu era pequena, não entendia direito porque minha mãe dizia que era minha obrigação gostar do meu irmão. Hoje, o amor não vem em formato de tarefa, mas de uma maneira genuína, recheada de admiração, respeito e carinho por este gigante homem que aquela criaturinha chorona se tornou.
Um dia quero ter crias minhas e tentarei fazer o mesmo excelente trabalho que fizeram meus pais. Meu objetivo de vida será fazer com que meus filhos possam ser e ter irmãos como o meu. E assim, sei que serão muito felizes e que nunca estarão sozinhos – exatamente como eu.

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Si así es, que así sea

“Guardei o caderno em uma gaveta”
180 folhas inanimadas que agora parecem não fazer mais sentido para outros. As mesmas palavras que fizeram a diferença em minha vida por tantos dias e semanas e meses. E que mudou minha perspectiva, que me fez acreditar que sim, eu poderia mudar o mundo com uma caneta.
A notícia foi dada assim, sem lágrimas ou compaixão. Entendo. Não é minha vida. Não é minha história, não é meu livro.
Foi apenas minha ilusão, minha fé errônea, crença de menina imatura. Mas se desistir de fazer alguma diferença é amadurecer, não quero crescer nunca. Faz parte de mim a ingenuidade de criança, o acreditar em fantasia. Sim, eu idolatro o senhor Walt Disney até hoje. E me orgulho disso. Achei que um dia até pudesse ter um parque baseado em estas histórias lindas que encontro no caminho. Mas, mais uma vez, não é minha vida, não são minhas memórias. Que direito tenho eu de forçar alguém a tirar do baú, do fundo do peito, dos arquivos da mente algo que dói, que machuca, que faz mal. Não seria capaz e mesmo que fosse, não poderia dormir tranquila ao fazê-lo. Não é não e pronto. Outros projetos virão – eles sempre vêm, não é mesmo? E a vida continua, mesmo perneta.
Deixo uma parte de mim e de minha menina na gaveta que provavelmente não será aberta tão cedo. Não vou embora, mesmo assim. Mas o caminhar diário certamente será mais vazio e seguirei procurando em olhares misteriosos outras boas histórias a contar.

I’m back, bitch

Achei que minha fase de páginas de Word preenchidas por vírgulas, confissões, interrogações, reticências, pontos finais e divagações havia chegado ao fim.

Cigarro, uísque, vinho. Mesma praça, mesmo carro, mesmo choro.
Nada.
Novos pensamentos, músicas, livros, filmes e peças. Outras táticas.
Nada.
Nem uma mísera linha.
Fez-se branco na tela do computador. A caneta não tocava as páginas do moleskine nem para fazer rabiscos cotidianos.

Horas sentada ao relento, cabelos em coque molhados pelo sereno, imaginando histórias no horizonte de estrelas. Clichê.
Nada.
Nem um esboço do que poderia vir a ser, quem sabe, um pequeno texto.
Nem uma nota.

A matrícula no curso do renomado mestre só fez desfalcar na carteira. Só fez abrir os olhos para novos estilos de escrita.
De outros.
Minha página continuava vazia.
Parágrafos de nada.

Nem uma ideia, nem uma reclamação. Sem pitadas de sarcasmo ou raiva ou drama. Ou qualquer emoção.

É o fim da vida do blog. Da minha vida. De descobrir a mágica que se faz sentido no unir de palavras.

Acabou. Conformei.

Mas o destino, esse brincalhão, assistiu à minha acomodação e enviou uma nova inquietação, um novo conflito e a já esquecida inspiração.

Parei o trabalho, a leitura e a academia. Afoguei-me nas letras do teclado, perdi-me entre as folhas do caderno e esqueci-me de comer por quase três dias.

Mas quem precisa de comida quando o drama alimenta a escrita?

Não era o fim.
Que nada.
Era só uma fase perturbada.

Entre eu e eu mesma

– deus do céu, você vai continuar?
– vou.
– mesmo sabendo que talvez não seja tudo aquilo que espera?
– sim.
– por muito tempo?
– bastante.
– quanto?
– suficiente.
– para quê?
– para tudo.
– mas você está fugindo?
– talvez…
– mas fugindo de quê?
– não sei ainda.
– e não tem medo de ficar?
– não.
– por quê?
– porque sei que tenho para onde voltar.

Tá na hora de você amar de novo

Deu abraço de saudade. Daquele que não quer largar, que confunde o respirar, que atormenta da melhor maneira que se possa imaginar.
Do casaco se fez conforto, dos olhos rolaram lágrimas, no cheiro voltaram lembranças.
Cabelos, barbas, braços, corpos que se tornavam apenas um elemento perdido, flutuante no meio da calçada – passagem de apressados vazios de sentimento.
O soltar foi esquisito. Doído. Real. Estava ali, mas já não mais existia. Era como venerar um defunto. Corpo palidamente gelado, lábios roxos de frio, juntas duras de morte, sangue quente latino em terras estrangeiras, coração pulsando nas trevas da alma.
No riso sem graça, a confissão de que ainda mexe. Na conversa madura, o entendimento do porque não deu certo. Na justiça das palavras, a libertação.
O melhor encontro de mãos por debaixo da mesa, o melhor bater de pés nervosos contra o chão, a melhor sensação de paixão.
Levantaram e resolveram repetir o exercício do abraço. Sorriram e prometeram, um dia, outro encontro marcar.
Dessa vez, eterno.
Foi sereno.
Mas era um sonho.
E acordou.

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