Deu abraço de saudade. Daquele que não quer largar, que confunde o respirar, que atormenta da melhor maneira que se possa imaginar.
Do casaco se fez conforto, dos olhos rolaram lágrimas, no cheiro voltaram lembranças.
Cabelos, barbas, braços, corpos que se tornavam apenas um elemento perdido, flutuante no meio da calçada – passagem de apressados vazios de sentimento.
O soltar foi esquisito. Doído. Real. Estava ali, mas já não mais existia. Era como venerar um defunto. Corpo palidamente gelado, lábios roxos de frio, juntas duras de morte, sangue quente latino em terras estrangeiras, coração pulsando nas trevas da alma.
No riso sem graça, a confissão de que ainda mexe. Na conversa madura, o entendimento do porque não deu certo. Na justiça das palavras, a libertação.
O melhor encontro de mãos por debaixo da mesa, o melhor bater de pés nervosos contra o chão, a melhor sensação de paixão.
Levantaram e resolveram repetir o exercício do abraço. Sorriram e prometeram, um dia, outro encontro marcar.
Dessa vez, eterno.
Foi sereno.
Mas era um sonho.
E acordou.

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