“Guardei o caderno em uma gaveta”
180 folhas inanimadas que agora parecem não fazer mais sentido para outros. As mesmas palavras que fizeram a diferença em minha vida por tantos dias e semanas e meses. E que mudou minha perspectiva, que me fez acreditar que sim, eu poderia mudar o mundo com uma caneta.
A notícia foi dada assim, sem lágrimas ou compaixão. Entendo. Não é minha vida. Não é minha história, não é meu livro.
Foi apenas minha ilusão, minha fé errônea, crença de menina imatura. Mas se desistir de fazer alguma diferença é amadurecer, não quero crescer nunca. Faz parte de mim a ingenuidade de criança, o acreditar em fantasia. Sim, eu idolatro o senhor Walt Disney até hoje. E me orgulho disso. Achei que um dia até pudesse ter um parque baseado em estas histórias lindas que encontro no caminho. Mas, mais uma vez, não é minha vida, não são minhas memórias. Que direito tenho eu de forçar alguém a tirar do baú, do fundo do peito, dos arquivos da mente algo que dói, que machuca, que faz mal. Não seria capaz e mesmo que fosse, não poderia dormir tranquila ao fazê-lo. Não é não e pronto. Outros projetos virão – eles sempre vêm, não é mesmo? E a vida continua, mesmo perneta.
Deixo uma parte de mim e de minha menina na gaveta que provavelmente não será aberta tão cedo. Não vou embora, mesmo assim. Mas o caminhar diário certamente será mais vazio e seguirei procurando em olhares misteriosos outras boas histórias a contar.

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