Ele só tem 16 anos (sei que são 18, mas já foi um grande avanço colocar em minha mente que ele não tem mais 14), mas uma cabeça melhor que a minha. Nem acabou o ensino médio, mas já sabemos que será mais bem sucedido que eu. Fui visitá-lo em terras distantes e me deparei com um homem feito, responsável, de coração gigantesco e ética impecável. Uma vez liguei para ele em prantos e a criança que tanto me irritava quando éramos mais jovens, me aconselhou, me acalmou e me disse para não ligar para a reação de meu pai para certas coisas, que, muitas vezes, a briga era só uma maneira torta de mostrar que sente saudades.
Meu irmão fez amigos no exterior, encantou a sua família canadense, fala inglês tão rápido e quase melhor do que fala português e agora vai voltar para casa. E eu queria voltar também, queria eu também aproveitar esta época de sentimentos misturados e confusos que vêm junto com um amadurecimento precoce inexplicável.
Queria acompanhar esta época de menino-homem, morrer de rir de suas piadas, pedir conselhos sobre a vida e pegar para mim um pouco de seu bom humor.
Que sorte tive de não passar tanto tempo na casa que sem ele se faz tão vazia. Creio que, no fundo, quis ir embora também para fugir deste aperto do quarto vazio, de não ter companhia para passeios idiotas como ir lavar o carro em uma tarde de domingo ou fugir da academia para comer McDonald’s.
Quando eu era pequena, não entendia direito porque minha mãe dizia que era minha obrigação gostar do meu irmão. Hoje, o amor não vem em formato de tarefa, mas de uma maneira genuína, recheada de admiração, respeito e carinho por este gigante homem que aquela criaturinha chorona se tornou.
Um dia quero ter crias minhas e tentarei fazer o mesmo excelente trabalho que fizeram meus pais. Meu objetivo de vida será fazer com que meus filhos possam ser e ter irmãos como o meu. E assim, sei que serão muito felizes e que nunca estarão sozinhos – exatamente como eu.

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