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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

junho 2013

Guanajuato lindo y querido

Lembra quando a gente chegou aqui, meu deus?

Uma menina de olhos chorosos e bússula quebrada. Não fazia a menor ideia de quem era ou de quem poderia vir a ser.

No começo, foi o México que teve que se acostumar com minhas roupas bregas, minha temporária aversão a todos os tipos de chile, minha mania de comer abacate com açúcar e meu mal espanhol.

Para mim, no entanto, foi rápido entender a geografia das pequenas calles, o bom humor matinal mexicano, os mariachis invadindo os restaurantes e os domingos com direito a banda no coreto.

Por meses eu esqueci o que era andar de carro, demorar mais de 15 minutos para chegar em algum lugar ou passar o sábado em um shopping center.

Nos finais de semana, com pouco dinheiro, pegava qualquer ônibus e visitava cidades vizinhas, com diferente culinária, diferentes morros, diferentes pessoas e igrejas muito parecidas.

Não tive problemas com as peregrinações matutinas que tomavam toda a minha rua. Algumas eu até acompanhei. Aliás, gostava muito de participar de eventos locais. La única güera em meio a todos aquelos mexicanos festeiros e fiéis.

Se a minha história com Guanajuato tivesse terminado quando estava programado,  esta pequenita cidade mexicana estaria para sempre em meu coração como a cidade da magia, felicidade e calmaria. Provavelmente seria destino de inúmeras férias e de vida depois da aposentadoria.

Mas estar apaixonado, minha gente, funciona da mesma maneira em qualquer lugar do mundo. Assim, Guanajuato e eu, sofremos a crise dos 7. 7 meses depois, as cucarachas começaram a me incomodar. O fato de ter que buscar pequenos animais mortais como aranhas e escorpiões debaixo da cama, nas frestas das janelas y en todos los rincones me empezó a molestar. Mesmo.

As mesmas músicas dos mesmos mariachis a cada restaurante me agradava cada vez menos e quando a banda do coreto começou a me irritar, meu amigo, eu soube que era o fim. Depois de 9 meses, o cheiro de tortilla de maíz sendo feita passou a ser veneno pro nariz e o sotaque mexicano já não era mais assim tão bonitinho.

Comecei a sentir falta até do trânsito de São Paulo e passei a não entender como pessoas de países como Estados Unidos, Canadá e Suíça resolviam ficar para sempre em Guanajuato. Os óculos cor de rosa caíram e o ar seco e a altitude daquela cidade que um dia me surpreendeu, começou a me fazer mucho daño.

A vida tem ciclos e o segredo é saber enxergar a hora de fechá-los. Se eu insistisse um pouquinho mais, acredito que sairia daqui com um verdadeiro asco de tudo que tem a ver com México. Mas, felizmente, minha história se encerra a tempo de receber o meu diploma e reconhecer que o país da tequila foi meu melhor amigo e a melhor coisa que podia ter acontecido em minha vida neste último ano.

Foi aqui que eu descobri quem eu era sem medo de mostrar-me ao mundo. Foi essa cidade que me acolheu com seus callejones íngrimes e o ar seco nem fez tanto mal assim. Saio daqui uma pessoa muito melhor do que cheguei. Com amigos de todas as partes do mundo, inúmeras fotos, um repertório cheio de malas palabras y canciones en español, histórias para contar, receitas de abacate com sal e já sem paixão, mas com muito amor que, muito claro e límpido, seguirá comigo até a eternidade. Guanajuato sempre fará parte de mim e eu sempre farei parte de Guanajuato.

Rotina

“Êêêê” … “Êêêêê” – grita o homem demasiado temprano em minha janela. Até hoje não entendo o que ele fala, só sei que ele vende gás. Para cima e para baixo com o enorme cilindro cheio apoiado nos ombros fracos. Callejones, vielas, avenidas. Aqui não tem caminhão com sinfonia, é a potência da garganta que salva o almoço e o banho quentinho a cada quarta feira.

Na lojinha da esquina nunca tem caixinha pequena de leite. Tem que levar 2 litros ou nada. Sempre saio de mãos abanando e com um convite de fiesta de cumpleaños da Gaby, que até hoje me chama de Verônica “porque eu pareço muito com a artista da televisão”. Seu aniversário foi em janeiro, mas parece que o salão-da-casa-do-tio-do-amigo-do-vizinho-do-primo, que vai emprestar o local para o evento, ainda não está pronto.

Sem leite, sou obrigada a levar suco de goiaba ou tenho que caminhar à loja de conveniência mais próxima. Mas como lá nunca tem troco, deixo por isso mesmo.

Saio cedo, mas chego tarde. Isso porque em meio a convites e sucos e (falta de) leite, paro para cumprimentar a Flo. Eu prefiro dizer ‘Flor’ – me parece mais cheiroso – porque apesar de bonito, ‘Florencia’ é muito grande. Mas Flo prefere assim, sem o ‘r’, diz que parece mais carinhoso. Flo é a única pessoa que recebe um sorriso verdadeiro antes das 9 da manhã. Nosso diálogo é sempre o mesmo, com pequenas mudanças – se faz frio ou calor; como foi a aula de zumba ou de vôlei – mas segue sendo indispendável.

O sorriso falso só começa a ser ensaiado pouco depois das 9h e dura até o meio-dia. Quando me sinto livre. Almoço, troco mais alguns sorrisos, esbarro nos de sempre, reparo nos novos, conto 5 degraus, cuido ao atravessar a rua, caminho, caminho e caminho.

Vou à comunidades, cuido de crianças, conscientizo indígenas, contabilizo horas de trabalho de mulheres que dormem 2 horas por noite. Acompanho casos horripilantes. Atendo ao telefone, respondo a e-mails, atualizo o facebook com imagens de mulheres fortes.

Falando em forte, tonalizo mi pompis em classes de step, zumba e tae bo – não necessariamente nesta ordem. Ajuda a aliviar a pressão de conhecer problemas tão sérios. Tomo banho, leio um pouco, escrevo um pouco, saio um pouco.

Volto. Spray na mão. Visão raio-x. É hora de matar qualquer coisa incapaz de sobreviver ao super-veneno-salvador-da-minha-vida-mexicana. Cucarachas, alacranes, insetos rasteiros e que voam, coisas estranhas que pulam e qualquer ser ousado o suficiente para ameaçar-me em minha única zona de quase-conforto.

Escuto atentamente às aventuras de minhas roommates enquanto espero o quarto arejar – na esperança de não me afogar em meu próprio veneno -, assisto a qualquer coisa completa no youtube. Cochilo. Lembro que acabou o gás e durmo torcendo para amanhã ser quarta feira.

Verás que um filho teu não foge à luta

Pela primeira vez, o facebook não serve apenas como fonte de entretenimento. Montagens com cachorrinhos fofinhos, frases engraçadas ou de efeito e fotos com bico de pato na frente do espelho, graças a deus, são deixadas de lado.

A rede social funciona, para mim, como meio de informação. É jornal impresso, revista, rádio e televisão. É ponto de vista, reclamação, protesto e maneira de marcar encontros. É o Brasil pedindo por mudanças. É a falta de medo. É o despertar de uma nova era. É o brasileiro mostrando a sua cara. É a PM atacando. São os políticos calados.

Facebook hoje é o relato da história que meus compatriotas estão mudando na rua. É a imagem da bala de borracha no olho que já não pode ser censurada. É um grito não mais calado. É só o começo.

Em julho de 2011, tive contato com um dos maiores movimentos já visto no Brasil, o Movimento Caras Pintadas. Com o objetivo de terminar nossa jornada na universidade e finalmente nos tornar jornalistas, duas grandes amigas e eu fizemos um documentário intitulado “Era uma vez um presidente”. Nossa principal pergunta girava em torno da legitimidade das manifestações de 1992. Descobrimos que não foi bagunça, era indignação. Imagens de incontáveis jovens cantando e protestando nas ruas nos emocionou diversas vezes. O sentimento de patriotismo e vontade de mudar foi enorme. Mas parecia demasiado distante.

Hoje, esse sentimento bate de novo. Mas é real. Está aqui. A história está sendo mudada, o país  está lutando. E a gente faz parte disso. Eu estou longe, mas com botas de combate verde e amarelas assim como meus muitos amigos e outros milhares de cidadãos brasileiros.

É hora de deixar o facebook, desligar o computador, desconectar do twitter e ganhar essa batalha. Os brasileiros já tiraram um presidente do poder, é a sua vez de fazer algo pelo país! Muda, Brasil!

Em Progresso

Get back to where you once belonged

Nota: texto originalmente escrito para o blog ‘Insana Mente Sã’

Tô passando a vez. E não volto mais atrás. O papinho mentiroso de solitário e dependente já não cola mais. Pouco a pouco vou desconstruindo sua imagem, desacreditando de toda mentira agradável que sai quase que involuntária, bem naturalmente, de seus lábios esculpidos. Não os fito mais. A beleza esvai-se a cada meia verdade metida – contada de maneira cara de pau e desrespeitosa.

Nunca fui intolerante. Vez ou outra chego a ser até tola demais. Mas, depois de tanto afinco, finalmente conseguiu pisar no meu calo. Desrespeitar-me de uma forma tão explícita só aumenta sua já enorme parte negativa da lista que calcula se vale a pena continuar me enganando.

Não dar a mínima e tacar um belo foda-se para meus sentimentos é o tipo de coisa que só eu posso fazer. Você não. Nunca lhe foi dado este direito. Pode me comer, me enganar, pode me ter nas palmas de suas belas mãos. Eu deixo. Mas isso, jamais. Vá fazê-lo com o bando de garotinhas idiotas como eu, apaixonadas por você. Vá praticar sua falta de bom senso com aquela que, burramente, não te larga. Porque não te enxerga, não te conhece.

Bipolar, psicopata, filho da puta, cafajeste, sem caráter. Já te julguei e te julgaram de coisas piores – se é que elas existem. E isso, meu caro, nunca estremeceu um fio da admiração que tinha por você. Nunca ninguém conseguiu te tirar do meu pedestal. Só você.

Parabéns! Não precisou de ajuda nenhuma para subir, agora também desce sozinho. Boa sorte em achar um alguém como eu. Sou metida, pode dizer. Tenho-me certeza. De minhas qualidades e inúmeros defeitos. Valeu a pena. Eu também vali. Agora chega.

Volte para sua vida mesquinha de traições e joguinhos. Deixe-me seguir a minha. Fique com as lembranças, com o carinho e com as punhetas. Mudei o pedido do primeiro cigarro virado no maço: que nossos caminhos não se cruzem mais.

Confira a versão em vídeo aqui:

Eu venci

Nota: da série ‘rascunhos – textos velhos que aproveitamos como novos quando a vida não nos deixa escrever’

É chegado o momento do ‘não dá mais’. É chegada a hora de tomar decisões mais relevantes do que Serra Malte ou Original, bolinho de carne seca ou pastel de queijo, salada ou macarrão, de atum ou de salmão, vinho ou saquê, cama ou sofá, quarta ou quinta feira, na praça ou no apartamento, encostar ou se fazer de difícil, responder ou apenas sorrir, mandar ou não mandar, de carro ou a pé, na minha casa ou na sua, convidar ou ignorar, aparecer ou sumir, amar ou fingir não se importar.

É hora de deixar o conto de fadas de lado, guardar as bonecas, doar os bichinhos de pelúcia, tirar os óculos cor de rosa, colocar os dois pés no chão e, finalmente, crescer.

Chega. De me iludir. De te iludir. De fingir que tudo bem. De ignorar os sentimentos e suas consequência. De contentar-se com metade. De nadar e morrer na praia. De tacar o foda-se. De esperar.

Desistir faz-se minha mais corajosa decisão. Covardia é protelar, é me desvirtuar de meus próprios valores interiores apenas para manter algo que não se sustenta.

Digo tchau e sigo mais sozinha do que nunca. Sigo com um discurso que pertence apenas a mim, com passos que são só meus, por caminhos que só eu poderei desbravar. Saio de um barco sem apoiar o pé em qualquer outra embarcação.

“Sempre achei que fosse te perder para um alguém que te desse aquilo que não posso”, confessou de uma maneira meio arrogante, meio surpresa, meio triste.

Os relacionamentos não me acontecem em um estalar de dedos, my dear. Enquanto as mensagens de textos começavam com o seu nome, não havia espaço em minha agenda para nenhum outro número.

Você perdeu, sim. Mas foi para mim.

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