Nota: da série ‘rascunhos – textos velhos que aproveitamos como novos quando a vida não nos deixa escrever’

É chegado o momento do ‘não dá mais’. É chegada a hora de tomar decisões mais relevantes do que Serra Malte ou Original, bolinho de carne seca ou pastel de queijo, salada ou macarrão, de atum ou de salmão, vinho ou saquê, cama ou sofá, quarta ou quinta feira, na praça ou no apartamento, encostar ou se fazer de difícil, responder ou apenas sorrir, mandar ou não mandar, de carro ou a pé, na minha casa ou na sua, convidar ou ignorar, aparecer ou sumir, amar ou fingir não se importar.

É hora de deixar o conto de fadas de lado, guardar as bonecas, doar os bichinhos de pelúcia, tirar os óculos cor de rosa, colocar os dois pés no chão e, finalmente, crescer.

Chega. De me iludir. De te iludir. De fingir que tudo bem. De ignorar os sentimentos e suas consequência. De contentar-se com metade. De nadar e morrer na praia. De tacar o foda-se. De esperar.

Desistir faz-se minha mais corajosa decisão. Covardia é protelar, é me desvirtuar de meus próprios valores interiores apenas para manter algo que não se sustenta.

Digo tchau e sigo mais sozinha do que nunca. Sigo com um discurso que pertence apenas a mim, com passos que são só meus, por caminhos que só eu poderei desbravar. Saio de um barco sem apoiar o pé em qualquer outra embarcação.

“Sempre achei que fosse te perder para um alguém que te desse aquilo que não posso”, confessou de uma maneira meio arrogante, meio surpresa, meio triste.

Os relacionamentos não me acontecem em um estalar de dedos, my dear. Enquanto as mensagens de textos começavam com o seu nome, não havia espaço em minha agenda para nenhum outro número.

Você perdeu, sim. Mas foi para mim.

Anúncios