Mesmo tendo certeza absoluta de que havia tomado a decisão certa, sentei na cama e chorei.

Simplesmente chorei toda a saudade que tinha sentido de minha família. Chorei a força que tive que ter, as barras que tive que enfrentar e as escolhas que tive que fazer.

Chorei a saudade que eu ainda ia sentir, chorei os amigos que fiz e o mundo de coisas que aprendi. Chorei o amor que aprendi a controlar, os lugares que conheci e a felicidade que senti.

Chorei o prazer de morar em cidade pequena, chorei o saludo do outro lado da calle, chorei as botas que tive que deixar pelo peso da mala.

Chorei o fato de agora de verdade me conhecer. Chorei as pessoas incríveis que levo comigo. Chorei a parte enorme de mim que aqui eu deixo.

Chorei pela pinche distância geográfica. Pela dor e pelo prazer de viajar. Chorei primeiro por ter decidido ficar mais. Depois, por decidir ficar menos.

Chorei a família postiça que tive e as maluquices que vivi. Chorei a minha independência e a minha responsabilidade. Chorei em espanhol, em coreano, chinês, alemão e inglês. Só não chorei em português porque a volta é a única certeza que agora eu tenho.

Chorei por estar feliz. Pelo sentimento de dever mais que cumprido. Chorei por não deixar mais nenhum assunto mal acabado e pelo difícil que isso foi.

Chorei porque muitos choraram por mim. Por me sentir querida. Por amar.

Chorei porque já não choro por qualquer coisa, mas porque essa situação, de verdade, pedia todas as lágrimas e soluços e desespero. Chorei porque valeu e valeu muito a pena.

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