Fiquei em choque quando recebi a notícia. Meu mundo parou.

Apesar da felicidade estantânea que explodiu no meu peito no exato segundo em que a frase ganhou seu ponto final, o cerébro não conseguia processar tamanha informação e de meus dedos abobados só saiam perguntas toscas no teclado do computador.

Conversei como se tudo estivesse normal, mas caminhei cambaleando até a casa.

Neste dia, saí de um trabalho, fui cozinhar meu próprio almoço, saí para o outro trabalho e fui tomar uma cerveja. Os passos de gente grande não faziam a menor diferença quando o coração era de uma menina de 14 anos. Meio assustada, meio preocupada, morrendo de medo. Mas nem sei de quê.

A questão é que a gente sabe que a gente tá crescendo, mas isso já era demais. Era muito. Era extremo. E era muito próximo. Nem era comigo, mas era muito meu.

Pensei nas outras coisas que podiam acontecer, com os outros. E as notícias que acho que eu simplesmente não estava preparada para receber. Cara, que loucura!

Essa noite tomei mais cervejas do que podia e pulei a aula de zumba, jamais poderia me concentrar em passos e voltas e sincronia. Demasiado, demasiado.

Demorei para pegar no sono. Dormi. Acordei e sorri. Muito. Quase gargalhei. Cara, que loucura!

As preocupações mudaram: é menina? menino? é saudável? vai ser feliz? o que eu vou ter que ensinar? vou saber ensinar? e se me perguntar sobre sexo? e o barrigão? eu vou perder o casamento?

Só uma coisa era certa: eu vou ser tia! A tia mais legal do bebê de uma de minhas melhores amigas. E essa foi a maior e melhor notícia do mundo, do meu mundo!

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