Essa dor silenciosa é a pior dor que tem. É morrer por dentro cada dia um pouquinho. A cada semáforo vermelho, a cada chá preto, a cada nova música.

É estar mal o tempo todo em que se está bem. É não desmoronar quase nunca, desmoronando quase sempre. É buscar preencher o vazio com qualquer coisa que sabemos que não vai funcionar. Mas mesmo assim o fazemos.

É uma dor que dói tanto, que já não dói nunca. É um bichinho que incomoda o tempo todo, cutucando vezes sutil, vezes fortemente. É um desgosto constante de viver uma vida sem mais significado.

É ir à missa só por saber que ficar bravo com Deus não vai mudar a luta. Nada mudará.

É se esforçar para fingir viver, quando a alma está em frangalhos, moída, destroçada e ferida, detonada e jogada na cama, assistindo a qualquer episódio de Friends enquanto o corpo esboça falsos sorrisos ao tomar um cafezinho sem açúcar com qualquer pessoal.

A vida é o teatro que precisa rodar quando toca o despertador, abrindo a cortina do dia. O espectador só paga se gostar do show – que não pode parar. Cruel e simples. Um normal injusto pelo qual todo mundo, um dia, tem que passar. É assim, só assim, que a vida continua. E a gente carrega o guarda-chuva furado, enquanto o sol não brilha.

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