Marília,

meu mar, minha ilha.

Esta já é a vigésima nona carta que te mando. O dobro da minha idade. Números redondos que não existem. Não desistirei, porém.
Há pessoas que cruzam nossos caminhos por algum nobre motivo que o destino só nos deixa perceber depois de calejados o suficiente para não enlouquecer.

De meu amor por Marília, cariño, me fez nascer livros e textos e entendo que não entenda essa minha vida de escritor.
É muito verbo, advérbio…é muito sujeito que não você.
É muito personagem dividindo contigo minha cama. Minha lama. Minha trama.

É tanta vírgula pra você colocar o ponto final. Me dê a dúvida de uma reticência, ao menos. Ao decidir pela partida, Marília, minhas palavras se escrevem em branco em um texto de cegos que só eu consigo entender.

Mas o texto não me abandona. Ele sempre vai me preencher. Mesmo que por você, Marília, meu destino lírico seja morrer.

Sem poréns, mas com amor,

Marvin Spock.

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