Agarrou afoita e cuidadosamente as mãos enrugadas pela velhice.

Envolveu as costas curvadas como quem ajeita o travesseiro antes de dormir: tarefa simples, porém essencial para o descansar pleno.

Apertou um lábio contra o outro como quem segura a fala, controlando a emoção. Amor, dor, saudade e solidão.

Fez tudo sem desgrudar da mão.

No soltar do abraço, o olhar de compreensão, compaixão e desespero. Perdão. Pelo sofrimento que a vida lhe causou. Mesmo a culpa não sendo sua.

Um sinto muito que, se falado, não seria do coração.

Pensou em ficar, mas e o caminho?

No adeus sentiria dor, mas mesmo assim partiria.

A serenidade que transmitia, nem deus entendia.

Aceitou. Balançou a cabeça. Concedeu. E seguiu.

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