Me deu uma vontaaade de chorar. Mas era segunda-feira e o trabalho com menos uma jornalista na redação estava fervendo.
O mundo do mercado imobiliário me esperava, com suas grosserias e esperas infinitas ao telefone, com má vontade de responder e-mails e respostas curtas que não ajudavam a preencher as inúmeras páginas de inúmeras matérias que eu tinha que escrever.
Fui pro banheiro e derramei algumas lágrimas.
Mas nem isso deu tempo de fazer direito. Jornalista toma muito café, você sabe, acompanhado de um cigarrinho. E aí toma-se água também. E aí se vai muito ao banheiro.
Saí e 
fingi que os olhos vermelhos eram maconha. Menos desagradável que chorar a ausência de um ente querido e amargar o clima de pré-fechamento.
A vida não deixa nem a gente sofrer direito. E isso é o que mais conforta.

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