Já não encontro com amigos. Estou cansada. Dá preguiça de ir longe. Ou perto. Só preparar mesmo alguma coisinha em casa. Mas vai até que horas? Eu acordo cedo. Cedo? Eu tenho é que madrugar para dar conta de fazer exercício físico. Sabe como é…qualidade de vida. Qualidade de quê? Isso não pode ser vida.
A gente tem muito papo para colocar em dia, mas puta que pariu, você mora em São Bernardo. E eu tô sem habilitação. Poderia dormir na tua casa. Mas e a minha cama? Virei velha, preciso do meu travesseiro. Cadê a menina que dormia até em pedra? Voou. Morreu. Talvez nunca tenha existido. Às vezes eu acho que fui adolescente só por obrigação. Mas que minha vontade sempre foi ficar em casa assistindo ao Jô e comendo doce.
Aí não sabe porque ficou gorda. E reclama. E acorda às 5h da manhã para queimar a banha. E fica cansada. E não sai com os amigos. Porque tem sono. E reclama. E tudo virou longe, mesmo quando perto. É tudo muito congestionado. E perigoso. De que perigo a gente foge? Quer risco maior que não viver a porra da vida? A gente ganha dinheiro. Dorme oito horas por noite. Corta o carboidrato da dieta. Corre. E pra quê? Pra quem? Pra mim é que não é. E você? Pra quem que é? Quem é? Quem quer ser? É essa mesmo a vida que queria estar levando?
Vivos por fora e mortos por dentro. Caminhando sem querer estar. Chutando pedras no caminho. E que caminho… Cadê a paisagem? Muda então, faz alguma coisa, vai vender coco na praia. Se joga no mar. Pra limpar. Limpa a casa, sacode a poeira, varre a imensidão de desgosto, que o gosto, eu juro que vem. Come um brigadeiro de vez em quando. Pastel. Guaraná. Feijoada. Capricha na salada também. O que é que tem?
E corra sim. Mas saia. Divirta-se. Toma um energético. Que o sono a gente compensa na eternidade. E enquanto estamos vivos. Enquanto não somos mortos. Enquanto não nos matamos. Vivamos.

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