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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

novembro 2013

“Febre” na mão e sorriso no rosto

Quando soube que teria a possibilidade de folhear páginas e páginas daquelas belas, inteligentes, pensadas e sutis combinações de palavras, enlouqueci.
Torci muito pelo projeto, pelo autor, pelo talento que viraria sucesso.
Mas quando a espera ganhou vida, nome, cor, textura e preço, eu estava longe.
“Você pode comprar pela internet”, me diziam. Mas os correios do México são terríveis e só deixaram passar cartas de minha mãe porque o santo dela é forte e porque recado de mãe (convenhamos) é até pecado barrar.

No Brasil, tentei a livraria mais próxima. “Não tem, senhora!”
Entrei no site. Saí do site. Entrei no site. Saí do site. Entrei no site.
“Para efetuar a compra, clique aqui.” Cliquei. “Opção inválida.”
“Como assim, meu senhor?”
A máquina nunca me respondeu.
Deixei para lá. “Depois eu vejo isso”, pensei.
“Só vende na livraria tal”, me contaram. Fui.

– Ixi, senhora, não tem.
– E não dá para ver no sistema se tem em outra loja?
– Ixi, senhora, o sistema não está funcionando para ver outra loja.
– E se eu der uma volta? Você acha que ele volta a funcionar em quanto tempo?
– Ixi senhora…
– Ixi digo eu, moço.
– Mas a senhora pode verificar pela internet e efetuar a compra por lá mesmo. Chega direitinho na sua casa.

Lá vem essa tal de internet de novo. É cômodo e prático, eu sei. Mas a felicidade de comprar algo é exatamente trocar, naquele imediato momento, notas e moedas por algo palpável, tangível. Algo meu. Novo. Lindo. Escolhido a dedo.

Quer coisa mais chata que ver o saldo da conta diminuído e em vez de poder aproveitar o desejado produto, ganhar a necessidade de conferir o itinerário da encomenda? Eu, hein.

– Bom dia, moço.
– Oi, senhora. Achou o que procurava lá na internet?
– Não achei não, moço, Hoje o sistema está funcionando?
– Tá sim!
– Então checa aí pra mim!
– Olha, tá dizendo que na av. Paulista tem…
– Que horas fecha lá?
– Ixi, senhora, fecha daqui a 20 minutos. Não dá tempo de chegar lá não.
– E não dá para reservar o livro pra mim?
– Ixi…

Sábado de chuva. Avenida Paulista. Conjunto Nacional. 10h da manhã.

– Oi, moça. Bom dia. Vem cá, tem esse livro por aí?
– Diz aqui que o livro chegou em agosto e que ainda tem um exemplar, mas não sei se tem não. Vou procurar.
– Por favor!

A moça sumiu, evaporou. Mergulhou no mundo das prateleiras ordenadas com e sem sentido. Na minha prateleira particular, imaginária, seções de emprestados, presentes, comprados, favoritos, abandonados, na fila para serem lidos e aqueles que nunca mais serão folheados.
Caminhei junto a ela. Capas, fontes, letras, desenhos, fotos, grossos, finos, feios, bonitos, best sellers, dietas da moda, dor de amor, finais felizes, autoajuda, empreendedorismo, qualquer coisa for dummies, clássicos.

Na ponta dos dedos, diferentes texturas. Som de silêncio e procura por títulos. Olhos atentos. Cheiro de páginas e páginas e páginas. Velhas. Novas. Brancas. Amareladas.

Novidades em formato de sacolas, marcadores, canetas e cadernos.

No caminho, crianças entretidas com figuras. Jovens sentados em aconchegantes poltronas. Fones no ouvido. Livros nas mãos. Cheiro de café, atmosfera de leitura. Pessoas interessantes, interessadas. Felizes. Experiência que não dá para trocar por virtual nenhum. Por mais fácil que seja.

– Acabou.
– Como assim, “acabou”? Você não falou que no sistema dizia que tinha um?
– Pois é.
– Pois é o quê?
– O sistema dizia. Mas é que a internet não funciona direito às vezes…
– É mesmo? Não me diga!!! Moça, sério mesmo, eu preciso desse livro!
– Que cor é a capa?
– Vermelha!
– Ok!
– Ou azul!
– …
– Acho que é meio bege. Com azul. E vermelho. E tem meio que uma figura. Sabe, meio assim…! Ah, talvez seja meio roxa!
– Senhora…
– Quer que eu procure na internet?
– ….
– Não é esse não, moça, olha aí o título. Esse título é ruim, né?
– Acho bonitinho.
– …
– É esse?
– não!
– Ai, moça. Sinto muito.
– Não, não. Tudo bem! Acho que vou comprar pela internet mesmo.

Fiquei um tempo ainda por ali. Meio cabisbaixa. Vencida. Tentando achar algo empolgante para iniciar uma nova leitura enquanto esperaria pelos correios. Malditos correios. Presente de amigo secreto talvez. Quem sabe receitas diferentes ou até mesmo aquele volume gigante, teórico e chato, porém útil…

– Acheiii!
– …
– Moça! Moça! Achei!! Tava escondidinho lá! Mas tá aqui, pronto pra levar para casa!

Nem acreditei. Folheei. Abracei. Quase beijei a capa que, de fato, é meio bege, meio cinza, meio azul, meio verde, meio vermelha, meio roxa e que tem uma figura mesmo, meio assim…!

– É débito, moço, por favor!
– Ixi! Estamos sem sistema, não tá aceitando cartão.

A compra “foi efetuada com sucesso” da maneira mais arcaica possível. Na loja física. Com dinheiro vivo.
Agora, só falta o autógrafo.

Ya no te va a doler

Te deixei em um dia de chuva. Nunca chovia em Guanajuato e a gente já sabia que a venda de guarda-chuvas empoeirados no começo de cada esquina era o presságio de uma noite que de certo não poderia acabar bem.

Os callejones de pedras largas e escorregadias não foram feitos para serem molhados. Sapatos mexicanos quase se dissolvem quando em contato com micro partículas de chuva e as solas da bota marrom de guerra nunca imaginaram o encharcar que o adeus causaria.

“Deus quis assim”, você diria, se fosse mexicano puro. Mas o sotaque espanhol, a altura, a pele branca e os cabelos quase loiros te desviaram do caminho da fé. E foi no pecado que a gente se encontrou.

Duas almas perdidas, sozinhas, intensas. Foi numa noite de frio que berramos, bêbados, nas calles llenas de transeuntes que conheciam pela primeira vez o festival de horror em que a pequenita cidade se transformava quando virava palco de shows de um público que não poderia suportar.

Xinguei em espanhol e me senti poderosa. Você vomitou palavras horrendas e achou que nunca mais fosse me ver. “O destino quis assim”, você diria, se não fosse tão cético.

Nosso primeiro encontro sóbrio foi desengonçado. Ainda assim raivoso. “Te va a matar o te va a amar.” Me mori de risa. “Ni muerta.” 

Morri. Fui enterrada. Ressucitei e você ainda lá estava, achando tudo engraçado. Foi gracioso mesmo. Bonito. Químico. Natural. “Nossos filhos seriam bonitos”, você comentava. Eu abaixava a cabeça, revirava os olhos e apenas sorria meio que de lado. Meio que sabendo. Que nunca comprovaríamos suas teorias malucas de futuro.

Foi por você que me equilibrei de novo. Que descobri leveza no sentimento que antes trazia medo. Nunca te agradeci, acho. Mas serei eternamente grata. Meus pés alcançaram as nuvens de novo, mesmo quando tocando o chão. O riso não tinha receio de sair e as mãos se tocavam sem pudor. Era certo.

“O começo diz muito sobre o término de um amor”. Você acertou. Como sempre.

Fizemos chover, trovejar. Caiu o mundo. O nosso mundo. Sai correndo, molhada, sem olhar para trás. Que difícil seria ver teus olhos marejados. Ajudados pelos grossos pingos do céu, lágrimas rolaram em direção ao queixo tão bem esculpido. Correu. Me alcançou. Cabelos se confundiam com barba e meu corpo se confundia com o seu. Olhos fechados para perder a cena. Não adiantou. Dava para sentir.

Se pudesse, ficaria. Você sabe. Sabe?
Se pudesse, você viria. Viria?

A cidade acordou sem ressaca, seca. O cheiro de tortilla continuara ali.
Prometi que sairia inteira. Mas pedacinhos contentes valem mais que um todo sofrido.
Inspirei. Suspirei.

No voo de volta, olhos secos e cabelo ainda molhado. Cheiro de chuva rara.
Sua imagem na cantina. Tequila em uma mão. Cigarro na outra. Coração no chão.

Em meu assento, sorriso no rosto e vazio no peito. A vida nunca mais seria a mesma. E tudo bem.

Back then

we used to sit on the second, maybe third, step of that stair. and we used to stare at the cold night while smoking our cigarettes. We would rather wait for some of us to get really really cold or scared by the black night and then we would go inside the house, we would eat bread with cheese and lettuce and ketchup, sometimes. I don’t even like the combination of lettuce and ketchup, but that didn’t really matter.

i was a really naive girl when you painted my nails with the most vibrant red i had ever seen. you were different. and that’s why i loved you. we drank, we partied, we ate a lot of chocolate and pizza hut and we told all of our secrets. we were so damn happy, girl.

we had the most amazing time of our lives and i…i don’t know if i recognize myself in those pictures anymore. my life has changed. i have changed so freaking much. sometimes i like it. and sometimes i understand that you have changed too. and that’s ok, my friend. that will always be ok.

we changed when we got into that airplane and when we started to hear people speaking portuguese all over the streets. honey, we changed by changing boyfriends, by getting laid, by having to choose a career. and, darling, we did it all. we’ve grown up. and that’s ok.

and that’s normal. you know? that is what it is.

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2 hours later

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but not when I look to this damn picture of our steps. this lonely stair that doesn’t lead us to Nana anymore….oh my god…this is you. and this is me. and this is us growing up, meeting new people, being happy every day, not worrying about a damn single thing. that was us not speaking to our parents for more than a week. that was me not going back to my host house and family for a week just to get in another great adventure with you and the girls. we were a gang, baby. we were. we didn’t have a name or a song or a logo. but that’s because we didn’t need that. we were awesome. we were friends. forever. and we had dreadlocks and we ate lollo and we weren’t scared. we were never scared.

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I’m scared right now. aren’t you?

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life was so easy back then. i used to wear my white coat everyday. you guys gave it to me. you were my best. and it matched my white boots. they were so ugly, but so comfy. i spent a few days without showering. you know that. not going back home took me to some bad decisions. but i don’t regret them.

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i felt so free.

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i’ve lost my freedom, even now that i’m older and making my own money.

i’m a big girl, i’m an adult. i miss me.

and i miss you.

and those steps …and the stair.

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and I wish i could just change a couple of things by holding this photograph as it was magic. but i can’t. but it isn’t. we were magic. and we’ve grown.

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casa Nana

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