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Escrevo, depois apago

Não fui eu, foi meu eu-lírico

mês

fevereiro 2014

Descoberta

Eu, sinceramente, achei que tinha superado.
Mas seguia comendo chocolate.
Demais.
Evitava o espelho.
Mudei o cabelo.
Quebrei o joelho.
E precisei me apaixonar perdidamente por um personagem de televisão.
Para entender-te.
Me entender.
Demorei, sabia?
Para sacar o envolvimento.
Tirar do espetáculo alguma lição.
Ficção.
No travesseiro toma o rumo que a gente quiser.
Mão e língua.
Coração.
E a gravação no replay. e replay. e replay.
Pausa.
Click.
Estava lá.
A arte imitando a vida.
A minha vida.
E a vida…
é mais que arte.
Sem roteiro.
Nem pausa.
Nem rec.
Nem play.
Botões quebrados.
E lá vamos nós.
Desapaixona.
Entende.
Sorri.
Joga fora o velho cookie.
Solta o cabelo.
Arruma o joelho.
Reinstala o espelho.
Reabre o coração.

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Seca

Me deu vontade de escrever. Só não sabia sobre o quê.
A sensação é a mesma que antecede o choro. Nó na garganta, invenção de motivo, lembranças passadas, nostalgia proposital, seleção de músicas que mexem.
Deu vontade de ter tanto para dizer que os dedos não acompanham, se machucam, quebram teclados e lotam páginas e páginas de word em branco.
Mas sobre quem?
Por quê?
Quando?
Como?
Dê-me um lead, jornalista, mostre-me um caminho.
Procure uma foto.
Leia um texto.
Lembre-se de um amor.
De uma dor.
Sei lá.
Qualquer coisa que saia do objetivo, do trabalho, do mecânico.
Dê-me poesia, escritora.
Sei que está aí.
Que ainda existe.
Que pensa.
Que transborda.
Que cria.
Só não escreve.
É normal.
Não se pressione, pessoinha.
Ainda há tempo.
Acalme-se.
Deixe-se.
Desenhe, então.
Ou não.
Só não vá assistir a qualquer besteira na televisão.
Leia, então.
Melhore.
Inspire-se.
E volte.
Quando for seu tempo.
A caneta será sempre sua.
E a folha seguirá atrativa.
Mesmo quando amarelada.

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