Me deu vontade de escrever. Só não sabia sobre o quê.
A sensação é a mesma que antecede o choro. Nó na garganta, invenção de motivo, lembranças passadas, nostalgia proposital, seleção de músicas que mexem.
Deu vontade de ter tanto para dizer que os dedos não acompanham, se machucam, quebram teclados e lotam páginas e páginas de word em branco.
Mas sobre quem?
Por quê?
Quando?
Como?
Dê-me um lead, jornalista, mostre-me um caminho.
Procure uma foto.
Leia um texto.
Lembre-se de um amor.
De uma dor.
Sei lá.
Qualquer coisa que saia do objetivo, do trabalho, do mecânico.
Dê-me poesia, escritora.
Sei que está aí.
Que ainda existe.
Que pensa.
Que transborda.
Que cria.
Só não escreve.
É normal.
Não se pressione, pessoinha.
Ainda há tempo.
Acalme-se.
Deixe-se.
Desenhe, então.
Ou não.
Só não vá assistir a qualquer besteira na televisão.
Leia, então.
Melhore.
Inspire-se.
E volte.
Quando for seu tempo.
A caneta será sempre sua.
E a folha seguirá atrativa.
Mesmo quando amarelada.

Anúncios