Vou morrer de saudades

mas vá embora, sim, que eu trato de te encontrar no caminho.

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Passei uma vida inteira, entre idas e vindas, sem saber exatamente qual era meu sentimento por ela.
Somos muito diferentes, não há como negar. 
Eu sou mais discreta, contida e paciente.  Sou previsível, não me afeto muito por críticas ou elogios – apesar de considerá-los, bem lá no fundo. 
Não faço amizade com tanta facilidade,  não faço questão de ser simpática e fico muito na minha, muitas vezes sem ser notada.
Ludmilla não. Ludmilla é um furacão. Chora inconsolavelmente na frente do injusto vice-prefeito, ri alto em momentos impróprios e pelo jeitão estabanado, escrachado e autêntico, é conhecida por todos, pelo bem e pelo mal.
Intensa, esquentada, apaixonada. Pelo trabalho, pela vida e pelo Victor.

Ludmilla veste a camisa. Dos amigos e da profissão. É jornalista assumida e orgulhosa. Acredita que pode mudar o mundo e conseguir o celular direto do Obama. E consegue mesmo, tamanha teimosia.
Trabalhar a seu lado me rendeu momentos de desespero (ela fala muito alto e bate no meu joelho operado) e alegria (ela me acalma quando fico nervosa e confia em mim para ler parágrafos – cada vez melhores e mais leves).
Ser sua amiga me abriu caminhos para uma vida muito mais solta, mais confiante e mais feliz.
Lud sempre me pediu que escrevesse um texto sobre ela e nunca consegui. (não conta para ninguém, mas a pressão me travou. afinal, seria horrível não atingir suas expectativas – principalmente depois de tantos elogios, tão exagerados).
Com base em sua admiração genuína e cativante – que faz sorrir em dias difíceis – pode me sobrar, de fato, talento, é claro. Mas sempre me faltarão palavras para definir e descrever o fenômeno Lud.
São borboletas no estômago, dançar no meio da rua, ouvir música no volume máximo, chorar assistindo ao voo dos passarinhos e se emocionar com um simples abraço.
Nunca entenderei porque o destino se encarregou de insistir tanto em nosso cruzar de caminhos.  Mas a ele serei eternamente grata.
Hoje Ludmilla desbrava uma nova trilha, cheia de novidades e desafios e emoções.
É até ridículo querer desejar boa sorte, porque Lud pavimenta sua própria estrada, agarra a oportunidade e não deixa a pauta, a vaga, o prefeito e muito menos o presidente escapar.
Lud almejou, mereceu e conquistou um novo reinado. Lá vai ela arrasar em outras terras, atazanar a vida de milhares de outros jornalistas e fontes, que vão amá-la e odiá-la, vendo-a subir cada vez mais alto, mais brilhante, mais Lud.
E eu vou estar aqui, sempre por perto, sempre observando e sempre, sempre sem saber definir o sentimento que tenho por ela – até o fatídico dia de fechamento em que buscarei à minha esquerda um motivo para não perder as estribeiras e deparar-me-ei com uma cadeira preenchida por quem não conhece as piadas internas, complexas explicações com um só olhar e ajuda mútua que faz toda a diferença, vazia. Só aí saberei que é tristeza, saudade, melancolia, tudo junto e misturado com muito orgulho, torcida e alegria.
E aos que vão ocupar meu posto diário de colega, confidente, amiga e revisora, lhes alerto: esta será uma jornada emocionante, uma montanha russa indescritível, incomparável, memorável e perturbadora.
Mas que (vai por mim!) vale e vale muito a pena, por ser, ao final, apenas muito encantadora.

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