Correio (des)elegante

Dá um friozinho na barriga. Liga pra amiga. Sorri. Dá pequenos pulinhos sem sair do lugar.
Ele respondeu.
E ela, prestes a abrir a mensagem, o coração e a vida, trava.
Os dedos, em posição de ataque ao mouse, param ainda no ar. endurecem. entristecem. perdem toda aquela euforia incontida de quando digitavam a pergunta fatídica.
Ele respondeu.
O sentimento era o mesmo de outrora e apesar de uma nova história vinha recheado de caquinhos de uma devastação anterior. Ainda em recuperação.
A ansiedade vira angústia. A vontade vira desespero.
Ele respondeu.
O olho não quer ler. O cérebro não quer saber e a alma tem medo de cair, de novo.
Até o corpo responde. Borboletas no estômago passam a dar dor de barriga. A cabeça lateja, a pele arrepia. Chega a doer.
Ele respondeu.
É dor do passado. É trauma antigo. É como quem perde uma perna mas a continua sentindo, doendo, coçando, esticando e dobrando.
É fantasma. É real.
Ele respondeu.
E ela não quer mais saber. Não quer entender, não quer responder.
A vida se ajeita agora, só agora. Ainda não se pode arriscar. Acertar, errar, se perder e afundar.
Ainda não dá para amar.

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