Sem saber em quem colocar a culpa, oscilo entre “a vida é muito louca” e “somos todos muito covardes”.
Talvez as duas afirmações sejam verdadeiras.
Ou nenhuma das alternativas acima.
Não é como vestibular, de todas as maneiras.
A vida seria mais fácil se fosse em formato de teste.
Questões dissertativas são muito subjetivas. Não tem gabarito exato.
Indique-me, ó grande professor existencial, se A, B, C ou D.
Sempre C de Cristo, sempre A de Amor ou contas de proporção: se assinalei mais vezes A, C e D, está na hora de tentar um pouco a sorte com o B.
E no final, era sempre tudo ou nada.
É certo ou é errado. Não tem depende, não tem talvez, não tem “vamos conversar”.
É preto no branco. É sem graça. Mas funciona.
Sentimento não. Sentimento é emoção. É intersecção de ás e bês e cês e dês, é o alfabeto todo de ponta cabeça e de cima para baixo e de baixo para cima por diversas vezes seguidas e repetidas e então apagadas para logo serem reescritas.
E não dá para julgar não, assim como não se evita. Só quem vive sente e só quem sente sabe.
A resposta está lá, meu querido. Mas não importa o gabarito.
Dois e dois pode ser cinco. Não tem resultado definido.
É reprovado, é repetido. Mas é amado e destemido.
Depois sentará de novo, na mesma cadeira, mesma lição na aula de recuperação, que é para ver se aprende algo esse tolo coração.

Anúncios